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03 de setembro de 2011 · 10:31
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Ações emergenciais foram adotadas, mas limpeza de canais não esta prevista
Produtores rurais estão preocupados com a manutenção dos canais que abastecem a Baixada Campista. Os canais estão sujos e a seca provoca a diminuição no nível da água, e essa diminuição no volume de água faz com que os canais fiquem com lama.
A equipe do Site Ururau esteve na Baixada e conversou com alguns dos produtores rurais que tiveram prejuízos com a seca (nas plantações de cana, abacaxi, aipim, e milho) e estão preocupados com o período de chuvas, já que com os canais cheios de mato e água não tem como escorrer, deixando pastos e plantações alagadas. Ouvimos o Superintendente Regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Secretaria Municipal de Saúde para saber quais medidas serão tomadas para ajudar os agricultores da região.O agricultor Maurício Telles mora na localidade de São Martinho. Dentro de sua propriedade rural de sete alqueires passa o Canal do Genipapo, que tem 10 quilômetros de extensão e está coberto de mato. Para poder usar o pouco da água que tem dentro do canal o agricultor teve que limpar por conta própria parte dele.
Por conta do período de seca, ele não pode irrigar as plantações de cana e aipim e perdeu parte da produção, além disso, o agricultor perdeu dois bois e dois bezerros que ficaram atolados na lama dos poços de água da propriedade. Um prejuízo de quase cinco mil reais.“Moro aqui há 25 anos e esse é uma das piores secas que já vi. Antes tinha 90 cabeças de boi, hoje tenho 60. O pasto está seco, como alternativa estamos dando ao gado caules de mandioca, perdi toda produção de aipim”, disse.
Segundo o presidente da Associação de Produtores, Jurandir Pereira, cerca de 200 produtores rurais dependem das águas dos canais para irrigar as plantações e por causa do período de seca muitos perderam suas plantações.
“Eu tive prejuízo com a plantação de cana, eu usava água da cana para irrigá-la, mas como o canal está seco, não tem quantidade de água suficiente pra colocar a bomba. A cana era para estar maior, não vou poder vendê-la para caldo, vou ter que vender para usina e com isso vou ter prejuízos. Desde 2006 a situação está feia, e neste ano e em 2008 perdi quase tudo. Tive prejuízo de uns 10 mil com as minhas plantações”, ressaltou.Segundo Jurandir, os prejuízos por causa da seca não são os únicos problemas dos agricultores da Baixada. O período de chuvas que começa em novembro também preocupa.
“Os canais estão com muito mato, existem canais que não são limpos há mais de cinco anos. E todos estão assoreados, se a gente for limpar, a gente é multado. Quando começar a chover a água não vai ter como sair, e vai alagar os pastos e plantações. Tem lugares que a água fica pela cintura”, explicou.O produtor rural citou oito canais menores que estão em situação crítica, são eles: Canal Pensamento, Canal Genipapo, Canal Vala do Mato, Canal Poço da Banana, Canal Rio Novo e Canal Barro Vermelho, esses desembocam na Lagoa Feia. Já as águas do Canal Caxexa e do Canal Onça vão para o Canal das Flechas.
“Há 90 dias nós fizemos um pedido a Secretaria Municipal de Agricultura para ver o que eles poderiam fazer por nos ajudar, pelo menos limpar os taques. Eles dizem que tem a máquina, mas precisa da autorização do Inea para limpar”, finalizou.
LIMPEZA DOS CANAIS
De acordo com o Superintendente Regional do Inea, Rene Justen, o maior problema atualmente é a seca que atinge a região, inclusive o próprio Rio Paraíba do Sul está com nível baixo, o que dificulta a chegada da água até estes canais.
Sobre a limpeza dos canais menores, o Superintendente informou que desde o início do ano foi solicitada a Diretoria de Recuperação do Inea, mas as máquinas estão na Região Serrana do Estado fazendo obras emergenciais.“Foram feitas obras nos três principais canais da cidade, o Coqueiro, o São Bento e um pedaço do Canal Quitinguta. Com relação aos canais menores se o município se propor a fazer a limpeza, o Inea autoriza”, disse.
Em junho a presidente Inea, Marilene Ramos, esteve na Câmara Municipal de Campos para fazer uma avaliação sobre as obras que estão sendo realizadas nos canais da Baixada Campista.
Segundo Marilene Ramos, para que todo o processo de recuperação seja realizado, é necessário o investimento de R$ 500 milhões, para que fosse feito todo sistema de limpeza e dragagem dos canais da baixada de Campos.
10 de junho de 2011
PRESIDENTE DO INEA ESCLARECE AÇÕES NOS CANAIS DA BAIXADAAÇÕES EMERGÊNCIAIS
A equipe do Site Ururau entrou em contato com o Secretário Municipal de Agricultura, Eduardo Crespo, para saber quais ações emergenciais a secretaria pode fazer para ajudar os produtores rurais da baixada.
Segundo o Secretário como medida de ajuda aos agricultores que estão sofrendo com a seca a partir da próxima semana começa a limpeza dos bebedouros de água para o gado. “Mais de 300 bebedouros em todo município serão limpos, essas obras já estão autorizadas pelo Inea” explicou.
Com relação à sujeira dos canais, o Secretário disse que tem consciência do problema, sabe que é um trabalho de volume expressivo.
“Vamos entrar em contato novamente com o Inea, para ver o que pode ser feito para ajudá-los. Fazer um levantamento do problema e ver o que os dois órgãos podem fazer juntos para minimizar os problemas”, finalizou.
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