
30 de setembro de 2011 · 11:31
No momento em que a prefeita de Campos resiste a decisão de uma juíza que cassa o seu mandato outorgado pelo povo, devido a uma entrevista numa emissora de rádio, a atual corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, tem feito gravíssimas denúncias que deveriam escandalizar o país.
A ministra sustenta uma queda de braço com a AMB (Associação dos Magistrados do Brasil), que tenta reduzir o poder de investigação do CNJ e diz com todas as letras que o trabalho desenvolvido pelo órgão "é primeiro o caminho para acabar com a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga".
São essas as palavras da ministra Eliana Calmon, que deveria fazer despertar a magistratura de suas torres de marfim, jamais ser alvo de reação ou indignação por parte de magistrados sérios.
Magistrados que, já disse em meu comentário no rádio, não são semideuses que estejam acima do bem e do mal. São seres falíveis, portanto, passíveis de erros, falhas ou quaisquer qualidades negativas ao gênero humano.
Inexplicavelmente, no Brasil, as entrevistas da ministra do STJ não escandalizam ou merecem maior destaque. Em qualquer país do mundo, o episódio seria um escandalo!
Na entrevista, Eliana Calmon criticou a resistência dos tribunais a serem fiscalizados pelo CNJ, citando o TJ de São Paulo."Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ", disse a corregedora.
De que tem medo o TJ de SP? O que há por trás dessa intocabilidade dos egrégios tribunais de justiça que se consideram imunes ao princípio da transparência, ao qual se submetem outros poderes, como o Executivo e o Legislativo, sem que percam sua independência e autonomia?
Nos últimos dias, magistrados acusados de irregularidades tentaram evitar seus respectivos julgamentos antes de o STF se pronunciar sobre o CNJ. Este, por sua vez, incluiu em sua pauta de discussão onze processos que podem punir magistrados por conduta irregular. Se somados, o CNJ terá mais de 20 casos de juízes investigados na pauta de julgamento neste mês.
A corajosa e destemida ministra Eliana é uma brasileira que luta para transformar este país e declarou-se triste com o julgamento de uma ação no STF que poderá limitar os poderes do CNJ.
Ela afirma não ter do que se desculpar. Alega que não afrontou a magistratura ou ofendeu todos os juízes do país e o que deseja é "proteger a magistratura dos bandidos infiltrados".
Segundo ela, a quase totalidade dos 16 mil juízes do país é honesta, "os bandidos são minoria", mas que fazem um estrago absurdo no Judiciário e acrescenta que todos precisam perceber que a imagem do Judiciário é a pior possível, junto ao jurisdicionado [público que recorre aos tribunais]". "Eu quero justamente mostrar que o próprio Judiciário entende e tenta corrigir seus problemas". Que o leitor tire as conclusões sobre as afirmações da ministra.
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