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Bastidores

12 de dezembro de 2011 · 15:35

SÓCRATES, UM GRANDE BRASILEIRO

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Na era das mediocridades, da mesmice das frases feitas, vazias e repetitivas, tão comuns nas entrevistas que permeiam o futebol, Sócrates foi ser gauche na vida como uma das solitárias exceções num mundo onde insignificâncias, poderosos e oportunistas se locupletam.


Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Nome de filósofo, filósofo da bola. Um nome tão extenso quanto à grandeza de seu desmedido futebol de craque e sua generosidade cidadã. Um cidadão com letras maiúsculas, um brasileiro que não veio à vida a passeio. Que tinha o Brasil no nome e que como poucos soube honrá-lo.


Que remava contra os moinhos de ventos dos subterrâneos do futebol. O guerreiro contestador, mago do calcanhar, o Magro da idéias e das causas que resistiu até o fim à ditadura dos consensos, com sua fé no socialismo e numa sociedade mais justa. Na luta por uma escola pública melhor, por maior transparência no mundo do futebol e na própria sociedade.


Que desafiava a maré contrária nos murros em ponta de faca com que enfrentava os sopros do atraso e do obscurantismo. Que comemorava gols com os punhos cerrados e as mãos pra cima, como os anti-segregacionistas dos Estados Unidos, como que num brado pela liberdade e de protesto contra o regime militar.


O doutor das diretas, da luta pela anistia, da volta dos exilados, contestador do sistema, dos status que, que fugiu do estereótipo e da média comum dos jogadores certinhos e não transgressores. Que escapou sempre de um bom-mocismo que certa imprensa provinciana cobra de nossos craques, o que em tese excluiria dos seus paradigmas um Garrincha, um Reinaldo, um Afonsinho, entre outros.


Que usou o futebol não apenas com os pés, mas para fazer dele veiculo de transformações. Para ecoar o grito de alerta num país onde as pessoas, em sua esmagadora maioria, não têm a mínima noção do que seja um conceito de nação.


Que construiu as bases da democracia corintiana, na mesma trincheira em que sonhou construir um país menos desigual, o futebol como canal de expressão de sua voz pela utopia possível.


Num mundo onde os nossos craques, em sua maioria, movidos pelo individualismo e obedientes ao marketing pessoal brigam por mais dinheiro nos bolsos, ele brigava por causas. Maldito para alguns, quixotesco para muitos, rebelde para outros. Integro e coerente com suas idéias, sempre.


Um grande brasileiro que se vai como exemplo deste país em permanente construção. Esse projeto de nação que se arrasta na incansável e perseverante busca daquilo que poderíamos ser e não somos.


 

Paulo Renato Pinto Porto

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