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Mente Humana

06 de setembro de 2011 · 13:31

AS EMOÇÕES NASCEM CONOSCO?

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É muito fácil provar que já somos preparados para o reconhecimento de expressões faciais mesmo antes de aprender qualquer coisa. Como já falamos antes nesse livro, é uma condição genética evolucionaria e, se ficou, é porque é útil à nossa sobrevivência.


Pegue uma criança após seu nascimento. Espere a enfermeira levar a criança para o berçário e faça o seguinte teste: apresente a ela, sem mostrar seu rosto, um ferro de passar roupas, você poderá perceber que ela não demonstra fixação no objeto. Agora mostre qualquer outro objeto como uma vassoura ou uma maleta, nada disso prende a atenção da criança. Para terminar o teste com sucesso, arrume um papel e caneta, faça uma bola e coloque dois pontos como olhos, um ponto como nariz e desenhe uma meia lua com as pontas voltadas para cima. Acho que você fez um “smile”, certo? Mostre isso agora para a criança e veja a diferença.


Mesmo sem saber o que eram todas as coisas apresentadas, o bebê focou mais atenção ao desenho e pode até, ter devolvido com um sorriso a expressão frágil do smile. Seus olhos vão focar na direção dos dois pontinhos que você fez como se buscassem por apoio afetivo. Esse mecanismo, de reconhecimento de rosto, é o que garante a preservação da espécie, pois motiva a criação de vínculo entre o recém nascido e a mãe. Afinal de contas é isso que uma mãe quer: ser reconhecida. Se o próprio filho não olha nos seus olhos, não sorri para ela, se ocupa mais em ficar olhando o vazio do que para os rostos, algo está muito errado.


Não para por aí. Tem mais! Analise as expressões dele, sem querer ser um torturador, faça um barulho e veja o movimento do rosto ao manifestar espanto. Quando chora, veja como a musculatura no entorno da boca se molda. Será assim pelo resto da vida só que com menos expressividade por causa das pressões sociais.


Todas as emoções se apresentam no rosto das crianças, no mundo inteiro, do mesmo jeito. Elas expressam raiva, medo, espanto, alegria, nojo e tristeza utilizando os mesmos mecanismos que nós adultos. A única diferença é que, com o tempo, aprendemos a controlar os impulsos naturais para preservar nosso status de perfeição então, seguramos o quanto podemos as manifestações mais aparentes de nossos afetos.


Podemos afirmar, sem dúvidas, esses dois pontos:


1) Nascemos com o mecanismo de demonstração das emoções codificado e pronto para ser usado.


2) Igualmente nascemos com o reconhecimento facial como forma primeira de comunicação para a própria sobrevivência.


Recentemente, nos anos 60, o psicólogo americano Paul Ekman, retoma a pesquisa do Darwin e consegue documentar, com fotos, as expressões de povos distantes que não tinham ainda sido introduzidos na nossa cultura. Ao pedir que eles olhassem fotos de pessoas demonstrando emoções e, que, fossem relatadas histórias do porque a pessoa estar demonstrando aquela expressão facial, houve uma coincidência entre os dois. Os relatos sobre as fotos de pessoas sorrindo eram de histórias alegres do tipo: “- Ele está assim porque ganhou uma canoa nova!” Ou ainda, ao mostrar uma foto de uma pessoa triste um deles disse: “- Está assim porque sua filha morreu.”


Então a percepção das emoções é igual, o que motiva pode ser diferente, pois o que é bom para você pode ser ruim para mim. No entanto, quando externalizadas, todas as pessoas usam o mesmíssimo mecanismo estrutural do bebê, que fomos um dia, para expressar ao mundo o que sentem.

João Oliveira

oliveira@joaooliveira.com.br

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