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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

A cama de Procusto

29/04/2018 às 12h49

Reprodução
Procusto
Procusto, que significa “o estirador”, foi o apelido dado a Damastes, personagem da mitologia grega que vivia perto da estrada de Eleusiss. Ele adquiriu essenome devido a estranha punição que impunha a suas vítimas.

Procusto possuía uma pousada, à noite, atraia viajantes solitários até ela oferecendo abrigopara passar a noite. Este bandido gigante armava uma cilada para seus “acolhidos”. Em sua casa existiam duas camas feitas de ferro, uma pequena e outra grande, colocava os visitantes pequenos na cama grande e os grandes na cama pequena, escolhia a cama dependendo da altura do visitante. Existia um padrão.

Assim que dominava a vítima, Procusto a submetia e tratava de adequar o corpo às medidas exatas do leito: se era alto e os pés ultrapassavam a borda, ele os amputava com um machado; se era baixo e tinha espaço de folga, ele esticava os membros com cordas e roldanas.

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No dicionário informal, padrão significa modelo a ser seguido; modelo é um protótipo ou exemplo que se pretende reproduzir ou imitar.

 A relação do ser humano com sua imagem sempre foi problemática. Lacan, em suas palavras: “ O corpo, o corpo idealizado, reclama um sacrifício corporal”. Sacrifício este que pode ser o de cortar a própria carne, esticar e repuxar aqui e ali tendo em vista um ideal inatingível. A publicidade, ao difundir a ideologia do fracasso para aqueles que não se inserem nos padrões de beleza, impele o sujeito a se tornar um instrumento de resposta à demanda insaciável do Outro.

O narcisismo moderno não reside na tarefa de agradar, mas na perpétua insegurança, insegurança essa ligada ao julgamento dos outros, julgamento esse que traz em si uma suposição nunca resolvida.

O belo permite a objetivação do desejo, daí todo o fascínio que temos por ele. Essa localização tão fugaz e equívoca vem a se somar aos sintomas atuais, estimulando a relação complexa e não livre de sofrimento do sujeito com a beleza. O conceito de belo, em nosso tempo, se aproxima da tentativa de fazer existir um olhar definitivo, uma eterna sobreposição do sujeito com a beleza, tentativa muito perigosa, visto que subverte a ordem do desejo – um desejo sem limites –, o gozo. Gozo este que está ligado a pulsão de morte.

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 Procedimentos cirúrgicos sempre implicam risco de vida. Um Procusto que encanta.

                                                           

                         Luiz Roberto Duncan

                       Psicanalista

 

 


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