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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

Algumas considerações sobre o amor e a paixão

02/11/2019 às 19h21

Reprodução
?Aonde quer que eu vá, descubro que um poeta já esteve lá antes de mim...? Freud
“Aonde quer que eu vá, descubro que um poeta já esteve lá antes de mim...” Freud

Freud se refere a paixão em “Psicologia de grupo e a análise do ego”. Diz ele que o objeto adorado, em questão, se torna “cada vez mais sublime e precioso”, apossando-se de “todo o auto-amor do ego”. O perder-se de si mesmo torna-se, irrevogavelmente, um dos fins possíveis da sequência, quando, segundo o autor, “o objeto, acaba por, consumir o ego”. Ocorrendo assim, uma submissão do apaixonado ao objeto da paixão, uma desvalorização do eu, uma substituição do seu constituinte mais importante pelo objeto.

O objeto da paixão é um ser totalmente idealizado, e aquele que se apaixona viveráplenamente discernido a ele, por algum tempo ou de modo infindável.

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 A paixão não aceita a assistência do real, tanto quanto, o equilíbrio da razão, posto que, não quer saber da frustração, do imperfeito e dos desacertos. Na paixão a fantasia ilumina cegando, o salvador das imaginações infantis, ganha suporte no agora eternamente feliz; felicidade enquanto condição permanente, não um estado que se alterna.

 Toda paixão que não se acredita eterna, é assim, repugnante; por ser súbita, anda de braços dados com o egocentrismo, com o passional e o escandaloso.

Para Freud, “estar apaixonado” é diferente de “estar amando”. Estar amando encaminha o ego a se desenvolver com as propriedades do objeto, assimilando-as em si próprio.

 O amor, assim, presume um investimento no outro, um abrir mão de parte de si para doá-la ao objeto, enquanto que a paixão, implica ao contrário, a tentativa de sugar o objeto para dentro em direção a ela própria, o outro é visto como “metade de mim”, procura um outro que lhe falta para tornar-se inteiro.Já dizia Lacan, “amar é dar o que não se tem”. O que acarreta em admitir sua falta e concede-la ao outro, posiciona-la no outro. Não é dar o que se guarda, os patrimônios, os haveres: é dar algo que não se possui, que está além de si mesmo.

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Assim, o amor não extingue nem a falta, porque ela faz parte da constituição do aparelho psíquico nem o desconforto do homem no mundo. Essa descoberta, não impede o sujeito de construir toda uma obra, constituir família, ter filhos. O amor não elimina a castração, mas a torna suportável. No amor, o amado está ali para ser amado, eu te amo porque eu te amo.

Se amor é cura, paixão é loucura.“O Ser do homem não pode ser compreendido sem sua loucura, assim como não seria o ser do homem se não trouxesse em si a loucura como limite de sua liberdade”. Jacques Lacan.

                                                           Luiz Roberto Duncan

                                                                 Psicanalista


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