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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

Atravessar fantasmas

01/07/2018 às 08h03

Reprodução
Atravessar fantasmas
O fantasma da ópera é o mais famoso livro do escritor francês Gaston Louis Leronx. O texto gira em torno de um personagem misterioso, um sujeito em uma máscara, que vive nas catacumbas do teatro. No teatro chamam-lhe de Fantasma da Ópera.

Nesta obra a música é objeto de amor e elaboração para Erick, o fantasma, na tentativa de viver novamente algo que o aproximava do amor materno. Sua mãe era uma cantora de ópera e cantava para ele enquanto o amamentava. E para Christine a música a aproximava de seu pai, que era violinista e imaginava em vê-la cantar no teatro, prometendo que lhe enviaria um anjo para guiá-la. 

Para Freud, o movimento do desejo é estruturado pela repetição alucinatória das primeiras experiências de satisfação. Tais experiências deixariam imagens mnêmicas de satisfação no sistema psíquico. Quando um estado de inquietação reaparece, o sistema psíquico atualiza de uma maneira automática tais imagens sem saber se o objeto correspondente à imagem está ou não presente. Através deste processo de repetição, o desejo procura reencontrar um objeto perdido ligado às primeiras experiências de satisfação.

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Para Lacan, a função do fantasma é sempre a de tamponar a falta que marca a ocorrência do sujeito e que se apresenta na cadeia de pensamentos. Em psicanálise, não há completude quando se está no campo do sujeito. É neste sentido que surge o fantasma, no intuito de estabelecer uma unidade na tentativa de obturar a falta. Por exemplo, o que causa o amor por uma mulher em particular é a identificação do objeto que se imagina dar conta da falta, no estilo e no corpo desta mulher; da mesma maneira que o amor de Erik por Christine, no Fantasma da Ópera,teria sido causado por este objeto que Christine traria consigo, para os olhos de Erick.  Este é ao menos o sentido da definição lacaniana: “o fantasma faz o prazer próprio ao desejo”. 

Dessa maneira, Lacan tenta demonstrar que a função do fantasma consiste também em ser uma barreira de defesa contra a angústia produzida pelo inominável do desejo. Angústia que aparece sob a forma de angústia de castração.Existe um certo fundamento na vida fantasmática do sujeito que faz com que quando se relaciona sexualmente, ali não se trate de apenas dois corpos, mas de dois fantasmas que se encontram, usando os corpos. 

Nossos fantasmas se tornam um resguardo em nossas vidas, escorando nossos desejos e nos ajudando a lidar com nossas realidades. Atravessar e conhecer nossos fantasmas, com certeza, é o trabalho de nossa existência. Pois, temos que levar pela vida este ser que somos, um ser em falta.

                                                                     Luiz Roberto Duncan 
                                                                              Psicanalista
 


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