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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

O Amódio

08/09/2019 às 18h19

Reprodução
O Amódio
Freud, ao falar sobre os pares antônimos, propõe a antítese amar/odiar como sendo a única expressão da transformação de uma pulsão em seu contrário. Assim, Freud considera o amor uma pulsão que caminha com seu semelhante: o ódio.

Não raro amor e ódio apresentam-se juntos, norteados para um mesmo objeto, o que se constitui como paradigmático da chamada ambivalência afetiva. Segundo Freud, a história das origens e das relações dos dois termos torna compreensível essa ambivalência.

A ambivalência emocional faz parte da nossa estrutura, não podemos evitar sentir amor e ódio, embora isso nos provoque mal-estar. Como diz Nietzsche “O amor e o ódio não são cegos, mas cegados pelo fogo que levam por dentro”.

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O ódio não é o oposto do amor, porque quando você odeia uma pessoa você mantém uma ligação, você está conectado a ela, você pensa nela, investe energia nesse pensamento, que com certeza lhe causa um tremendo mal-estar, te avaria e destrói. O oposto do amor é a indiferença. Herman Hesse nos diz: “Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba”.

Assim, oamor não está solitário, ele tem seu semelhante, que é o ódio: eles têm uma relação complexa, “amodiosa”, que pode promover uma série de desordens. Lacan, criouo neologismo “amódio” como síntese dialética entre amor e ódio. Somos todos seres amódicos: amamos e odiamos com igual intensidade, muitas vezes o mesmo objeto. Amar e odiar são paixões que vivem abraçadas para todo o sempre.

Amar e odiar são categorias afetivas que determinam a relação do Eu com os objetos do mundo exterior, sejam eles pessoas ou coisas. Amar é querer, desejar estar junto. Odiar é o estado afetivo que nos impulsiona à aversão, à fuga do objeto hostil. O ódio é sempre animoso e não raro tende ao desmoronamento do objeto.

 Lacan caracteriza o amor como uma fascinação que visa inteirar a impossibilidade da relação sexual. Assim, ele surgesob a marca do impossível, prometendo que o sentido sexual vai parar de não se escrever. Porém, o amor não sustenta seu comprometimento. Mas, apesar de tudo, um homem acredita desejar e uma mulher acredita amar. É essa quimera do encontro com o impossível, que torna o amor tão apaixonante, fazendo com que cada um de nós o procure sempre.

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                                                                 Luiz Roberto Duncan

                                                                      Psicanalista


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