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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

O Processo de Luto

04/11/2018 às 13h01

O Processo de Luto
Luto é um processo de desinvestimento que surge após perdermos algo ou alguém, uma perda significativa. Quanto maior o vínculo, maior será o impacto. A palavra luto nada tem a ver com a palavra perda em termos de Etimologia. Elas se correlacionam pela superposição parcial de significados. A palavra “luto” tem a sua origem no latim “LUCTUS”, “aflição, pesar, dor”. A palavra “perda” tem sua origem no latim “PERDITA”, “algo que se deixou de ter”, de” PERDERE”, “perder, não ter mais”.

Como as perdas são inevitáveis na vida de qualquer pessoa, todos se veem atravessados por elas no decorrer da existência. Para Lacan, o lugar do objeto do luto é insubstituível, pois, ao perdermos alguém, perco não só a pessoa, mas também, o lugar de sustentabilidade. É como se uma parte do eu desaparecesse junto com o falecido.

No processo de luto, ocorre a inibição a qualquer atividade que não esteja ligada ao objeto perdido, só se pensa nele. Ocorre então a perda de interesse no mundo externo por causa da catexia do objeto que continua a aumentar e tende, por assim dizer, a esvaziar o ego. O ego, no estado do luto, se vê envolvido e absorvido em uma tarefa psíquica particularmente difícil, perdendo uma grande quantidade de energia à sua disposição tem que reduzir o consumo dessa energia em muitos pontos ao mesmo tempo. Assim, o ego perde bases importantes de sustentação emocional. Sobrevive sem razão de existir como se o ser amado tivesse levado consigo sua alma.

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O processo de luto é instalado para a elaboração de uma perda, se constituindo no desinvestimento da libido a cada uma das lembranças e expectativas relacionadas ao objeto perdido, por isso, é um processo lento e penoso. O luto é um processo de reconstrução e reorganização diante de uma perda, desafio psíquico com o qual todos temos de lidar.

Aceitar o factual, com certeza, não é nada fácil, principalmente quando a realidade pede que se aceite a perda daquele que amamos. É um processo enigmático, o luto pede esta aceitação da realidade para viabilizar sua elaboração. Uma profunda caminhada se inicia, e? necessário o desapego daquele que a morte retirou da nossa coexistência. Talvez entender a transitoriedade de tudo o que se tem nos ajude a dar valor e aquiete nossas perdas, já que estaremos ciente de termos vivido o que foi possível.

 

                                                                                                                                                           Luiz Roberto Duncan

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