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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

O silêncio

06/04/2019 às 11h40

O silêncio
A descoberta do inconsciente e a invenção da psicanálise deveu-se em grande parte a uma atitude fundamentalmente simples de seu fundador, Sigmund Freud: ele se dispôs a ouvir o que seus pacientes tinham a dizer sobre seu próprio adoecimento até então silenciados.

Freud criou o método da “associação livre”, utilizado até hoje. Trata-se de o paciente dizer tudo o que lhe vier ao pensamento, inclusive, e sobretudo, aquilo que ele julgar absurdo ou irrelevante. O problema é que falar tudo o que vem à mente às vezes é impossível, dada a convenção social que existe e na qual estamos inseridos. Mas, vemos aí que Freud fez uma aposta: a de que o paciente sabe algo que sua consciência afirma desconhecer, pois há algo silenciado.

Habitualmente quando se fala em silêncio, na psicanálise, trata-se ocasionalmente do silêncio do paciente. Porém, o silêncio do psicanalista tem sua importância e seu sentido latente, visto que entre o que se pensa e o que se diz surge uma associação, o silêncio aí funciona como um tempo de espera necessário a um novo dizer, um ponto que faz retroação na cadeia de pensamentos.O silêncio então ocupa esse lugar que acolhe a ocultação para desfazê-la e assim fazer surgir uma representação do sujeito, um tanto da sua verdade. Mas não é necessário que o silêncio se prolongue indevidamente, porque o perigo é que o analisando queira instalar-se nele comodamente, no intuito de somente produzir aparência.O analista assiste a capacidade de iniciar movimentos entre forças que lutam entre si, as que querem se exprimir e, outras, que querem fazer silêncio. Não são poucas as vezes que se diz “está tudo bem” enquanto se sangra por dentro.

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Fazer silêncio hora ou outra durante a sessão equivale a mostrar o inconsciente pulsional e convocá-lo novamente. O esforço de uma psicanálise vai na direção dessa passagem da não palavra à palavra. É um trabalho que precisa ser realizado pelo próprio paciente, que se autoriza, em seu tempo e em sua relação transferencial a ultrapassar essa barreira de silêncio, desfazendo, através da ética do bem-dizer alguns sintomas que serviam, até então, para trazerem de forma disfarçada o que estava silenciado. A palavra do analista não suprime o fundo de silêncio no qual ela se diz.

 

 O interessante é que a palavra silêncio pode ser considerada paroxítona, porque a sequência final, pós-tónica (-io) é praticamente um ditongo crescente e não pode ser dividido na translineação, mas é pronunciado com hiato, isto é, como duas sílabas. As palavras com estas características designam-se proparoxítonas aparentes.

 

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                                                               Luiz Roberto Duncan

                                                                      Psicanalista

 

 

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