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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

O Tropeço na mesma pedra

01/12/2019 às 12h56

Reprodução
O Tropeço na mesma pedra
 Em uma das suas mais célebres metáforas acerca do trabalho analítico, enunciada ainda no intervalo de tempo inicial da difusão da psicanálise, Freud se utiliza da relevância conferida a Leonardo da Vinci, entre a técnica da pintura e a da escultura, para aproximar a pratica psicanalítica da última. O psicanalista, assim como o escultor, atua retirando da pedra bruta seus excessos até atingir a forma desejada permitida pela peça original, e não pela via do acréscimo, como faz o pintor, que ajunta tintas à tela em branco para criar uma imagem que nunca antes esteve lá.

A dor da repetição se apresenta na clínica, as pessoas chegam à análisee formulam isso da seguinte maneira: ” por que tropeço sempre na mesma pedra”? “ Por que, mesmo sabendo disso, não consigo evitar”? Essas perguntas trazem em si uma outra: por que o tempo de hoje é igual ao de ontem e será igual ao de amanhã? Porque procuro sempre a infelicidade? E quando a encontro me surpreendo?.

A repetição de um sintoma traz em si uma expressão – a expressãodo repetido. Por isso, se pode dizer que a repetição é a manifestação do desejo no tratamento. Antes da análise, o sintoma é um dizer que ainda não encontrou seu dito. A passagem para o sintoma bem-dito é o que constitui o termo do processo analítico.

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 A psicanálise considera então o sintoma como um signo do sujeito. Enquanto signo, pode ser decifrado, pois, possui uma face simbólica. Desta maneira, de acordo com Lacan em “A direção do tratamento e os princípios de seu poder”, a importância da psicanálise consiste, justamente, em criar um caminho que torna possível a compreensão do sintoma em sua singularidade, já que possui uma determinação, quer dizer, resulta de uma lógica inconsciente.

Por exemplo, a mãe diz a seu filhinho: “você é uma gracinha!” Esse menino pode significa-lo como um palhacinho que vive fazendo besteiras, como um bonequinho engraçado, como um menino bem comportado, etc. Esse significado é consciente e uma análise pretende liberar os significantes aprisionados a um significado para que possam surgir novas significações. Assim, surge a possibilidade de se fazer algo novo, uma movimentação da vida que pulsa.

Portanto, a exploração dos sintomas e o mapeamento das significações que ele pode comportar é um passo necessárioas novas definições do sujeito em análise. No entanto, o quese difere na análise é que não se trata de uma mudança decorrente da passagem do tempo, mas do corte no tempo que passa.

                                                                                                                         Luiz Roberto Duncan

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