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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

Onde não me penso, penso

04/05/2019 às 21h30

Sigmund Freud fundou a psicanálise como uma prática clínica e um método de investigação dos processos psíquicos, e suas pesquisas tiveram como resultado a formação de um novo campo do saber: a teoria psicanalítica. De acordo com Freud, a história da sociedade é marcada por três feridas narcísicas. A primeira se refere à revolução copernicana que deslocou a Terra do centro do cosmo e a colocou como um dos planetas que giram ao redor do Sol. A segunda ferida teria sido provocada por Darwin ao situar o homem como mais uma espécie derivada de outras espécies na evolução biológica. A terceira ferida narcísica foi cunhada pela própria psicanálise, ao afirmar que a soberania do eu e da consciência é falsa, ou seja, o sujeito não é soberano em sua própria morada.

Esse ponto foi destacado por Jacques Lacan em sua releitura da obra freudiana a partir da problematização das incidências da linguagem na constituição do campo do sujeito.

Lacan formulou o conceito de sujeito do inconsciente, que tem como seu principal fundamento a marca de uma divisão constituinte, decorrente da irrupção da linguagem. Com a leitura dos textos freudianos, feita por Lacan, se tornou possível colocar uma questão acerca do sujeito em psicanálise, haja vista que foi Lacan quem se apropriou deste conceito da filosofia, subvertendo-o, a fim de aproximá-lo do que encontramos na experiência analítica.

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Com o estudo dos sonhos, Freud mostrou que o inconsciente é constituído de pensamentos, ainda que estes não sejam claros à consciência – como estabelecia o cogito cartesiano – e foi daí que partiu Lacan para abordar a subversão do sujeito pela psicanálise.

Lacan retoma o sujeito cartesiano para mostrar que o sujeito da psicanálise surge em referência a ele, numa articulação entre o sujeito e o inconsciente. O sujeito do inconsciente se funda numa divisão, pois com a entrada no campo da linguagem é submetido à função significante. Produz-se, com isso, uma defasagem entre o que o eu “quer” enunciar e o que o sujeito efetivamente enuncia, a qual caracteriza a experiência do inconsciente.

Para qualificar a estrutura do cogito freudiano, Lacan faz duas formulações. A primeira: “penso onde não sou, portanto, sou onde não me penso”. Uma contraposição ao “penso logo sou” feita por Descartes. A segunda formulação lacaniana, complementária da primeira, para evitar uma certa ambiguidade é: “eu não sou ali onde sou o brinquedo de meu pensamento, penso o que sou ali onde não me penso pensar”. Assim, o “ali onde não me penso pensar” configura a existência do pensamento inconsciente, que determina o sujeito.

                                                              Luiz Roberto Duncan

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                                                                    Psicanalista

 


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