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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

Um pouco sobre o não ter

25/03/2018 às 14h55 25/03/2018 às 17h58

As três Górgonas eram filhas de divindades primitivas. O pai era Fórcis que desposou sua irmã Ceto. Geraram três filhas: Medusa, Esteno e Euríale. As três eram monstruosas tendo serpentes em lugar dos cabelos. Medusa, a mais conhecida das três, tinha uma poderosa força no olhar, que petrificava quem lhe voltasse os olhos. Enquanto suas irmãs eram imortais, Medusa era mortal. 

Diz o mito que outrora Medusa fora uma belíssima donzela, ciumenta, orgulhosa de sua beleza, principalmente dos seus cabelos. Certo dia teria cedido às investidas de Posseidon, deus do mar, e com ele mantido relações nas dependências do próprio templo da deusa Atena. Essa atitude enfureceu a deusa, que transformou os cabelos de Medusa em serpentes e tornou seu rosto tão horrível de se contemplar que a mera visão dele transformaria todos os que o olhassem na mais dura pedra.

Medusa é morta por Perseu. Para isto recebeu o auxílio dos deuses, Hermes e Atena. Usando sandálias aladas pode pairar sobre as górgonas que dormiam. Usando um escudo mágico de metal polido, refletiu a imagem de Medusa como num espelho e decapitou-a com a espada de Hermes. Perseu levou consigo a cabeça de Medusa que continuava com os poderes de petrificar os que lhe dirigissem o olhar.

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Freud, apresentou a cabeça de Medusa como o supremo talismã, que fornece a imagem da castração. Na psicanálise freudiana, a angústia de castração refere-se a um medo inconsciente da perda do falo, que pode ser o pênis, a beleza, a inteligência, o carro e etc. é algo que visa o olhar do outro com o intuído de admiração, sedução, conquista, algo que chame a atenção. Uma maneira de pensar o falo é ter em mente a possibilidade de não tê-lo.

 A castração está permanentemente se repetindo, ao longo da vida do sujeito, denunciando, marcando e remarcando esta impossibilidade real de se apreender o mundo em um saber absoluto.

Reconhecer a castração é admitir a quebra de um certo sentimento de onipotência que o Eu insiste em sustentar em nossa relação imaginária com o outro. É a quebra de uma forma idealizada de ser no mundo. Do ponto de vista da psicanalise, para que se possa desejar é necessário que haja falta. Assim, só há desejo se houver a vivencia da castração. Mas, como diz a lenda, o diabo fugiu quando a mulher lhe mostrou a vulva.

 

Luiz Roberto Duncan
Psicanalista


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