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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

Um saber que não se sabe

29/07/2019 às 09h07

Um saber que não se sabe
Sócrates nasceu em Atenas, Grécia, no ano de 470 a. C. Filho de um escultor e de uma parteira.  Discursava ele que:  voltando-se para seu interior o homem chega à sabedoria e caminha como pessoa.“Conhece-te a ti mesmo” é a marca do seu ensinamento.

A partir de Sócrates iniciou-se um período da filosofia denominado antropológico. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças naturais. Como diria mais tarde o pensador romano Cícero, coube ao grego "trazer a filosofia do céu para a terra" e concentrá-la no homem e em sua alma (em grego, a psique). Pouco se sabe da vida infantil desse filósofo excepcional.

Sócrates exerceu a filosofia nas praças públicas, mercados e ruas, debatendo, contradizendo e utilizando-se da maiêutica (método de investigação criado por Sócrates), método este que nãofornece soluções, mas articula perguntas como tarefa para que o sujeito descubra a verdade (muitas vezes mentirosa) da vida, que habita dentro de si mesmo. As perguntas explodem no interlocutor com toda a força de um enigma e passam a exigir dele um trabalho de decifração. Ou seja, começa por lhes colocar um enigma, para que eles possam perceber o quão pouco sabem, e como são frágeis e artificiais os saberes constituídos e, então, os tem motivados para a busca da verdade em sua companhia. 

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Pensando no que se passa na análise, podemos observar que as perguntas de Sócrates vão como que contornando, circunscrevendo o raciocínio do interlocutor para que ele se defronte realmente com a verdade do que está sendo dito. Sócrates os interroga para constatar que estão impregnados por opiniões que prejudicam sua "alma" e os impede de perceber a verdade que possuem. O conhecer-se a si mesmo de Sócrates não é algo que vem de fora, mas se refere à própria operação de construção do que vem a ser para o sujeito esse conhecimento de si. 

Podemos dizer que: psicanalise e o método socrático caminham juntos na medida em que defendem a importância de saber o que não se sabe, isto é, reconhecer os limites da própria ignorância. A psicanálise busca o não-sabido, aquilo que não cessa de se inscrever, mas que se configura sempre além do nosso conhecimento. A psicanálise busca um saber que o sujeito não sabe que possui, pois este saber encontra-se escondido pelo inconsciente.

  O lugar que Sócrates ocupa se aproxima, portanto, da configuração do lugar que sabemos ser o do analista. Um lugar que: ultrapassando o plano do jogo verbal, possa capturar o sujeito e fazê-lo trabalhar enquanto responsável pelo que vem a expressar como seu desejo. 

 

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                                                               Luiz Roberto Duncan

                                                                     Psicanalista


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