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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

'Uma Máscara sobre Outra'

23/02/2019 às 18h34

Reprodução
'Uma Máscara sobre Outra'
 

A palavra carnaval é originária do latim, carnislevale, cujo significado é retirar a carne. A palavra evidencia um desfrutar dos prazeres da carne. O carnaval comemorado no Brasil sofreu influência de uma festa de rua, de origem portuguesa, o entrudo, uma festa que era celebrada basicamente pelos escravos. Na ocasião, eles saiam às ruas com as caras pintadas jogando farinha e bolinhas de água de cheiro nas pessoas.

O carnaval é a maior manifestação cultural do Brasil, apresenta-se como uma espécie de libertação. Podemos ser aquilo que queremos. Podemos liberar nossos mais profundos e secretos desejos. Nos disfarçamos ou nos revelamos, podendo brincar sem medo, independente de sermos lembrados no próximo dia; as máscaras permitem a experiência da imaginação, são relatos visuais profundos, cuja função é dar voz a uma persona.

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“Uma máscara sobre outra” disse Shakespeare. É necessária uma dupla proteção para arriscar-se nesse carnaval que pede passagem no palco real da vida, permitindo a fantasia falar mais alto e escolher uma máscara mais confortável.

A realidade psíquica é recoberta de fantasia, ou seja, é o nosso modo carnal de tratar o real. Freud explora a relação do tempo com a fantasia, dizendo que a fantasia entrelaça o passado, o presente e o futuro, pois o indivíduo vive uma situação no presente, que desperta um de seus desejos infantis mais intensos e joga no futuro a realização desse desejo. No carnaval é como se o futuro surgisse. A fantasia é uma construção imaginária que se dá pela experiência vivida do sujeito.

Como vimos, o carnaval historicamente sempre foi considerado a maior manifestação da cultural popular brasileira, momento em que as classes trabalhadoras se expressam, por isso, sempre foi uma festa temida, reprimida e cooptada. Uma síntese interessante sobre o carnaval é encontrada na dissertação publicada por Raquel Gomes da Silva e Roberta Santos Gondim, sobre “O Carnaval e suas fantasias”: “(…) O carnaval provoca uma quebra na ordem social e permite inversão de papéis e valores: pobre vira rei e rainha, homem vira mulher e mulher vira homem, adultos pedem chupeta enquanto crianças se transformam em super-heróis, enfim, o carnaval é representado pela mistura de cores, classes sociais, diversão e cultura”.

    O impossível se torna possível quando a libido é investida mais nos sonhos do que nos medos.

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                                                                        Luiz Roberto Duncan

                                                                           Psicanalista

 


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