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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

O dilema dos transportes

19/06/2018 às 09h23

Cabe ao Poder público planejar o sistema estrutural de transportes e ao setor privado o papel de trazer propostas para a construção e operação de linhas de  transportes urbanos.  Não há nenhum mal nisso, desde que o Poder Público assuma sua responsabilidade de executar o planejamento urbano, à luz de muita discussão e com ampla participação da sociedade na busca de soluções.

Os estudos de viabilidade econômica precisam ser bem elaborados, para que possam ser debatidos e apresentados com clareza e objetividade.

Torna-se imperioso entender, que transporte público é muito mais que operar e ter retorno do investimento privado. Ou seja, é muito mais que um negócio, portanto deve realçar os interesses do usuário, assim como questões ambientais e sociais, às vezes não são levados em consideração.

 Mobilidade urbana precisa ser assumida como um tema de interesse mais amplo para a sociedade, que transcende o simples deslocamento de pessoas dentro das cidades. Desta forma, é imprescindível que o Poder Público constitua uma equipe técnica permanente e capacitada, que não dependa, nem sofra interferências, de políticas partidárias e episódicas. É preciso que o planejamento urbano e a mobilidade sejam assumidos como políticas de estado, e não como assuntos de governo.

Na capital do açúcar e do petróleo, mais de 2/3 dos usuários de transportes urbanos reclamam da carência na oferta de ônibus, itinerários e horários. O poder público, ao não racionalizar o sistema e reduzir seus próprios custos quem paga é a população, em especial quem tem menor poder aquisitivo, com impactos na qualidade de vida, por não ter um transporte humanizado.

Num contexto de crise de empregabilidade e queda de renda, subsidiar transportes públicos é imprescindível, mas também racionalizar a operação, diminuir tributos, dar prioridade aos coletivos (o que garantirá conforto e custos menores), investir em sistemas de maior capacidade e integração.

Uma boa fonte de financiamento para tal é a arrecadação do IPVA – sobre veículos, dos quais metade vem para os cofres municipais.

Instituições, clubes de serviços, grupos de amigos, igrejas, partidos políticos e o setor produtivo da cidade devem levar suas propostas de mudança e modernização do sistema público de transportes – núcleo central da mobilidade das pessoas e da geração de riqueza de uma sociedade

 

Ranulfo Vidigal – economista.

 

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