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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

Tempo de espera

23/11/2018 às 09h51

O capitalismo é um sistema produtor de crises. Segundo Steve Keen, um seguidor de Hyman Minsky (economista keynesiano), coloca assim o processo recorrente de crises na economia mundial: “o capitalismo é inerentemente defeituoso, propenso a booms, crises e depressões. Essa instabilidade, a meu ver, se deve a características que o sistema financeiro deve possuir para ser consistente com o capitalismo pleno". Estamos vivendo a chegada de mais uma desaceleração cíclica.

Nesse contexto, se o centro do sistema produtivo mundial tem uma gripe, a periferia facilmente desenvolve uma pneumonia. A financeirização vigente tende a acarretar baixo crescimento e ao aumento da desigualdade no centro, entre classes e regiões, enquanto oferece ao capital as oportunidades mais atrativas de investimento no setor financeiro, deixando os países da periferia de fora, especialmente se eles aspiram a algum tipo de democracia inclusiva e redistributiva.

Apenas em 1873 irrompeu a primeira grande crise capitalista, o conhecido “Pânico de 1873”, causado pelo frenesi de investimentos especulativos nas bolsas de valores norte-americanas e européias, impulsionadas pelas promessas de expansão do comércio devido ao projeto de construção das linhas férreas norte-americanas. Esta crise foi solucionada dentro dos marcos do capitalismo com a ascensão de grandes monopólios e a adoção de seus métodos monopolistas próprios – incluindo aqui tanto os métodos mais diretamente econômicos, como o dumping, mas também os métodos políticos, como a submissão completa de estratos governamentais de países inteiros – que possibilitaram a retomada de suas taxas de lucro e um novo período de expansão do capitalismo a nível mundial.

Depois de 1929, a crise capitalista iniciada em 2007-2008 se configura como a terceira crise sistêmica ou grande crise do capitalismo mundial. Esta crise eclodiu em setembro de 2008 com a falência de cinco grandes bancos de investimento norte-americanos, devido à execução de papeis financeiros relacionados ao mercado imobiliário norte-americano e que foram revelados como “papéis podres”. Resumidamente, a oligarquia financeira norte-americana, no momento que antecede esta crise, afirmava ter inventado um “capitalismo sem risco”, baseado em complexos instrumentos financeiros, sobretudo pacotes de seguros de ações, que eliminariam todo e qualquer risco envolvido nas operações financeiras. Os efeitos deletérios desse quadro se arrastam até hoje.

Enquanto isso, aqui na sua terra da jabuticaba e do juro pornográfico distraidamente ainda estamos jogando futebol, ouvindo muito samba, muito choro e rock n’roll e praticando um ultra liberalismo démodé. Daí que uns dias chove, noutros dias bate sol. E a coisa vai engrossar, quem viver verá...

Ranulfo Vidigal – economista.

 

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