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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

A (necessária) eutanásia do rentismo

08/05/2019 às 09h42

Em nossa dinâmica sociedade ocidentalizada, poder é a capacidade de impor preferências e/ou interesses, através de uma adequada ação política. É também, a capacidade de impor uma agenda de debates e vetar temas incômodos, bem como, influenciar pensamentos e desejos mediante o controle seletivo da informação.

Trazendo esta questão para nossa sofrida terra da jabuticaba, onde 22% das famílias não mora adequadamente, tem acesso precário à saúde e educação de qualidade, gasta longas horas para se deslocar de casa ao trabalho e vive com medo de sair à rua tarde da noite, esta face societária nos remete ao tamanho do desafio que temos pela frente.

Na economia não é muito diferente. Enquanto a tropa de pequenos empreendedores, de boa fé, discute questões secundárias, os economistas/analistas/financistas - os oráculos do "deus" mercado de capital fictício sentenciam sem pudor: que o ajuste “guediano” da contra reforma previdenciária representa, apenas, 1 por cento dos 5 % do PIB, da meta exigida pelos credores da dívida pública. Resumo da ópera: nossos financistas de plantão possuem o agradável caráter híbrido de vigaristas e profetas do caos.

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Vasculhando com cuidado os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do próprio governo federal, constata-se que nos últimos anos o saldo de contratações com remuneração superior a R$ 3.000,00 mensais é negativo. Sem incremento da massa de salários e demanda efetiva ninguém investe.

Com tantos ajustes assim, a economia não retoma seu ritmo necessário para gerar bons empregos, tão cedo. Confirmando minhas suspeitas, o Indicador de Incerteza da Economia medido pela Fundação Getulio Vargas avançou 8,1 pontos em abril, para 117,3 pontos, o maior nível, desde setembro de 2018 (121,5 pontos).

Chegamos a um estágio na crise do capitalismo brasileiro em que o lucro é sinônimo de destruição. O estouro de barragens, a queda de pontes e viadutos, é somente a expressão mais superficial de uma sociedade em crise, aparecendo de forma espetacular na imprensa como simples “acidentes”. Da mesma forma que a violência urbana, esconde o desemprego e o desespero das famílias.

O desafio presente me faz recordar Franz Kafka para quem: ”as portas de saída são inúmeras, as possibilidades de saídas são aparentemente numerosas, entretanto a saída concreta é uma só.  Resistir e lutar pela superação do rentismo que assola nossa rica nação de natureza exuberante e elite colonizada. Vida que segue...

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Ranulfo Vidigal – economista.

 


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