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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

Agora vai  

06/06/2018 às 15h27

Diziam as elites no século XIX, o problema do Brasil é o império, mas com a proclamação da República tudo vai melhorar. Já na seqüencia, a questão era o poder das oligarquias da República Velha e, em 1930, com a tomada do poder por parte de Getúlio Vargas o futuro estaria garantido com a modernização do Estado. Com Juscelino, o mote era que o problema do país era o eterno subdesenvolvimento, mas com a chegada do capital estrangeiro e o planejamento estatal formando o tripé mágico com o capital nacional, a coisa mudaria de vez. Infelizmente, não foi dessa vez e veio um golpe militar em 1964 retirando João Goulart do poder.

Nos anos 1980, o problema do Brasil era a ditadura, portanto, com a democratização e a Constituinte de 1988 a coisa ia mudar, a inflação seria domada e a vida de todos deveria melhorar. No tempo presente o problema é o déficit da previdência e o gigantismo da estatização representado na figura da Petrobrás. Mais uma doce ilusão.

Segundo o italiano Erman Dovis, várias histórias relacionadas à geopolítica do petróleo demonstram como os monopólios privados estão em permanente conflito com os Estados e as instituições democráticas, que são permanentemente subordinados pela ação de grupos de pressão, que compram influência política, manipulam a opinião pública, buscando dominar todos os aspectos da vida, sempre orientados pelo princípio do lucro máximo, contra os interesses nacionais e, obviamente, das massas trabalhadoras.

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Hoje no Brasil vive-se uma crise sem precedentes cujo estopim está, justamente, ligado ao Petróleo. Desde o golpe de 2016, as petroleiras estrangeiras, especialmente estadunidenses – especialmente Shell e Exxon-Mobil, mas não apenas -, beneficiam-se do aparelhamento da Petrobrás por altos executivos ligados ao capital financeiro internacional. Pedro Parente (o “ministro do apagão” de FHC), alçado à posição de presidente da Petrobrás, tem um longo percurso em instituições financeiras e um último e curioso posto como CEO da Bunge, multinacional ligada ao ramo de alimentos, agronegócio e bicombustíveis. Sob Parente, a Petrobrás reduziu drasticamente a produção nacional de derivados de petróleo – o Brasil declarara-se auto-suficiente em petróleo, ainda no final do segundo governo Lula e, em 2013, 90% do consumo interno era suprido pela Petrobrás -, passando a priorizar a exportação de óleo cru e a importação de produtos refinados (e de maior valor agregado): diesel, gasolina, querosene para avião. Os produtos vêm majoritariamente dos EUA, cujas exportações de derivados de petróleo para o Brasil cresceram 60% nesses dois anos.

Resumo da ópera, se até 1930 predominou o café para gerar divisas, na atualidade dependemos da soja, do minério de ferro e futuramente dependeremos da exportação de petróleo para equilibrar nossas contas externas deficitárias.

Nesse contexto, a empresa-Brasil sempre deu certo: propiciou bons negócios e gerou altíssimos lucros. Nos séculos XVI e XVII o país exportou açúcar. No século XIX, com o negócio do ouro ajudou a Inglaterra a criar o primeiro padrão monetário mundial. A partir de 1840 entrou no negócio do café, tão bem estudado por Celso Furtado que nos seus livros nos ensinou que, recorrentemente, a opção de nossas elites atrofiou nosso mercado interno, ao permitir permanente vazamento de riqueza, em grande escala para o exterior.

Darcy Ribeiro, autor do clássico ”O povo brasileiro” reafirmando seu otimismo na nação brasileira dizia, com sabedoria, que nossa cultura une o senso estético e a harmonia com a natureza oriunda dos indígenas, a musicalidade e sincretismo dos africanos e o senso prático da herança portuguesa. Com extensa base territorial, dotação de água, variedade de biomas e extraordinária biodiversidade, se unirmos criatividade com planejamento construiremos o nosso futuro.

Ranulfo Vidigal – economista.

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