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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

Brasil real - ou para não dizer que não falei de flores

19/09/2018 às 10h34

No país primeiro colocado na produção e exportação mundial de suco de laranja e açúcar; maior exportador de café solúvel; segundo exportador de alimentos processados; segundo maior produtor mundial de minério de ferro; sexto maior exportador de aeronaves (EMBRAER) e oitavo maior produtor mundial de carros, a manchete dominical de um importante jornal carioca dizia que o petróleo do pré-sal tem custo final de exploração compatível com uma cotação internacional na casa dos 35 dólares (contra os oitenta praticados atualmente e revela-se como a maior reserva potencial do planeta hoje. Já a manchete de outro jornal afirma que as pessoas da nação tupiniquim estão desistindo de procurar vagas no mercado de trabalho, pela estagnação econômica que impera na oitava economia do planeta. Quanta contradição.

De acordo com os dados do World Wealth and Income Database, o Brasil é o país no mundo onde a renda está mais concentrada no topo (1%). No histórico de 2001 a 2015, os dados revelam que o 1% mais rico do país concentrava em 2001, 25,1% da renda nacional e passou a 27,8% em 2015. Por sua vez, na base da pirâmide, os 50% mais pobres tinham em 2001, 11,3% de participação na renda nacional e passaram a 12,3% em 2015. A renda nacional total cresceu 18,3% no período analisado, mas 60,7% desses ganhos foram apropriados pelos 10% mais ricos, contra 17,6% das camadas menos favorecidas. Ou seja, somos uma nação “disponível” para poucos.

Confirmando tal tendência, o ranking elaborado pela Economática1 com relação aos lucros líquidos, considera os resultados de 295 empresas de capital aberto. Os bancos foram os maiores responsáveis pelo lucro no ano passado e representam quase metade dos ganhos. As 33 empresas do setor financeiro registraram lucro de 70,8 bilhões de reais no ano, contra 64,3 bilhões de reais em 2016, crescimento de 10,06%. Quatro dos cinco maiores lucros do ano foram conseguidos por bancos.

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É chegada a hora da maioria tentar finalmente trazer as grandes decisões para as suas mãos, o que, não necessariamente, vai passar pela resolução da presente eleição farsesca e polarizada. Retomar o nível de empregabilidade e o salário justo envolverá um grande acordo de caráter social-produtivista. Ou seja, seguindo Keynes que defendeu a eutanásia do rentismo. Cada tempo tem sua tirania. O poder econômico historicamente confere poder político. Junto com a força dos  exércitos, os impérios modernos possuem seus banqueiros. Sair da letargia é uma atitude que se impõe.

Ranulfo Vidigal – economkista.


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