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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

Ociosidade de forças produtivas

04/07/2018 às 11h34

A crise atual (fazendo uso de uma metáfora simples) se assemelha ao retrato de uma cobra sucuri que comeu um bode e precisa de tempo para digerir o excesso de capacidade produtiva. Daí a necessidade de ganhar tempo e cortar direitos para se apropriar da renda do fundo público (juros da dívida), enquanto um novo ciclo (necessário para garantir a recuperação da lucratividade perdida) não chega. Nesse contexto há uma forte correlação entre crescimento/encolhimento da atividade produtiva e geração de vagas formais.

A retração dos negócios, em escala nacional, reduz o valor dos salários pagos e o poder de compra das famílias incrementando a informalidade. A economia “cinza” movimenta, na calada da noite, cerca de R$ 1 trilhão de reais (17% do PIB) – com forte presença em setores como cigarros, óculos e vestuário.

No mercado de trabalho 1/3 das pessoas com idade entre 15 e 64 anos está na informalidade. Entretanto, isso não se limite ao Brasil, pois no México chega a 58%, na Colômbia a 54% e na Argentina a 45%.

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A desocupação da força de trabalho na economia tupiniquim, quando adicionamos a taxa de subutilização dos que trabalham menos de 40 horas semanais e o desalento traz uma realidade onde, uma em cada quatro pessoas em condição de obter seu sustento produtivamente encontra-se fora do jogo.

Desde o segundo trimestre de 2014, mediante forte desaceleração do consumo e do investimento público e privado vivemos uma prolongada recessão. Sair desse quadro envolve também superar uma conjuntura externa de guerra comercial iniciada pela administração TRUMP (travando o comércio internacional) e a aceleração dos juros praticados pelo FED americano.

Concretamente, a melhoria do mercado de trabalho nacional depende da combinação de uma política cambial e de juros mais amigáveis para o setor produtivo. Ou seja, promover a mudança estrutural que incentive setores manufatureiros e serviços sofisticados de maior produtividade, com a recuperação do investimento em infraestrutura (saúde, saneamento, mobilidade urbana, estradas) – setores intensivos em mão de obra.  

A sociedade de massa contemporânea envolve os indivíduos nas cadeiras automáticas do comportamento manipuladas por dispositivos midiáticos. O homem é um animal que molda um ambiente, bem como seu cérebro gerando certo tipo de comportamento de “efeito manada” - conduzido pela automação dos processos mentais. Um desafio a mais (no entanto não impossível) para superar esse quadro atual vivido na oitava economia do planeta.

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Ranulfo Vidigal – economista.

 


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