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Coluna Ranulfo Vidigal

Ranulfo Vidigal

Ponto de inflexão

15/07/2019 às 23h33

Ponto de inflexão

Com a "mão invisível" do mercado, como opção única de modo de produção, o mundo se tornou incompreensível para o cidadão, que não mais consegue lê-lo. As 500 maiores empresas multinacionais privadas — reunindo todos os setores, como bancos, indústria e serviços — têm 52% do PIB do mundo. Elas monopolizam um poder econômico-financeiro, ideológico e político que um imperador ou papa jamais teve na história da humanidade. Elas escapam de todos os controles do Estado, parlamentares, sindicais ou qualquer outro controle social. Têm apenas uma estratégia: maximização dos lucros no tempo mais curto e não importa a qual preço humano — ainda que sejam responsáveis, sem dúvida, por um processo de invenção científica, eletrônica e tecnológica sem precedentes e de fato extraordinário.

É um dinamismo formidável, mas isso tudo ocorreu de uma forma concentrada e nas mãos de um número reduzido de pessoas. Se considerarmos a fortuna pessoal dos 36 indivíduos mais ricos do mundo, segundo a Oxfam (organização mundial contra a pobreza), ela é igual à renda dos 4,7 bilhões de pessoas mais pobres da humanidade. Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura sobre a insegurança alimentar, a cada cinco segundos uma criança com menos de 10 anos morre de fome. A desigualdade não é só moralmente vergonhosa. Também faz com que o estado social seja esvaziado. Os mais ricos não pagam impostos como deveriam. Os paraísos fiscais permitem uma enorme opacidade

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No que tange ao Brasil, uma das dez mais importantes estruturas produtivas em escala planetária, não se trata de uma economia fundamentalmente exportadora, tampouco uma economia especializada, com uma estrutura produtiva pouco diversificada, embora tenha crescido a participação de commodities em suas exportações, nas últimas décadas. Ao contrário, sua dinâmica é fortemente influenciada pelo mercado interno, espaço principal de realização das mercadorias produzidas.

Algumas das características mais marcantes da formação econômico-social brasileira são: a dependência externa tecnológica e financeira, com grande transferência de renda para fora do país; a inserção passiva e subalterna na divisão internacional do trabalho; a enorme concentração de renda e desigualdade social; e o constante rebaixamento permanente do estatuto do trabalhador (vide “reforma” previdenciária recente) e apropriação do público (e do Estado) pelo privado (grande capital).

Considerando o planejamento da nova elite dirigente de plantão, podemos prever um processo de: 1- maior abertura comercial e financeira da economia, com a sua consequente internacionalização da estrutura produtiva, sob a égide do capital financeiro; 2) dominância desse capital e o, concomitante, processo de financeirização da economia - considerado o único caminho possível; 3) a continuação do processo de privatização – com a redução do Estado no âmbito produtivo – negando toda história de industrialização de nosso capitalismo dependente; e 4) uma profunda desregulamentação do mercado de trabalho, em tempos de quarta revolução tecnológica e chegada da Inteligência artificial - substituindo trabalho vivo por trabalho morto.

No campo político, o quadro é ainda mais incerto, em função de uma luta feroz é entre o estamento politico-burocrático (historicamente hegemônico na superestrutura), mas que custa muito caro, reduz oportunidades produtivas, e encarece o custo de manutenção da máquina pública, diante da sociedade cansada de pagar o grosso da conta.

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Tudo isso, em tempos de rompimento do pacto político entre a aristocracia do operariado e o grande capital - o real dono do jogo desde os anos setenta. Um verdadeiro limbo, onde o novo ainda não se firmou e o velho busca se manter a qualquer preço. Enquanto isso não se resolve, dificilmente a economia retoma seu rumo de prosperidade e o emprego sua trajetória virtuosa.

Ranulfo Vidigal – economista.


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