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Diálogo

Guido Mendes

Precisamos falar sobre a Copa ... a de 2014    

16/06/2018 às 17h47

Primeiramente, Gol da Alemanha. Esse 7 X 1 histórico não calou somente o Mineirão mas deixou toda a nação em estado de choque. Até hoje, os brasileiros aguardam uma explicação por ter tido o seu orgulho ferido na sua própria casa. O gosto amargo daquela derrota, ainda hoje, quatro anos depois, nos faz lembrar de como somos incapazes de chorar por aquilo que, realmente, merece o nosso choro.

Estamos na Rússia, renovados de esperança, depois de uma campanha avassaladora sob a batuta de Tite e os encantos de Neymar e companhia. Mas isso, pouco interessa quando lembro que a Copa de 2014 ainda não acabou. Melhor, tudo o que foi prometido como legado aos brasileiros ficou pelo caminho depois daquele 7 x 1. 

As obras inacabadas, o uso do verde amarelo – da camisa da seleção - para fins políticos associados a um golpe parlamentar e uma enxurrada de denúncias de corrupção na República Tupiniquim nos remetem a cada instante a um gol da Alemanha naquele fatídico oito de julho. 

Cada balançar de rede é um diagnóstico do legado que não veio, ou melhor, que foi para o bolso de uma corja de representantes da política brasileira e de seus donos da iniciativa privada, através das grandes corporações que controlam as licitações públicas nesse país.

Obras que nem saíram do papel e outras que parecem ter sido feitas com papel, como a do viaduto da Pampulha em Belo Horizonte que despencou cinco dias antes do emblemático 7 X 1, deixando dois mortos e 23 feridos. Quatro anos se passaram e o caso permanece sem solução. Nenhuma vítima foi indenizada. A consultoria de engenharia Consol e a empreiteira

Cowanainda não fecharam acordo com o Ministério Público para ressarcir a prefeitura.

O legado da mobilidade vendido em verso e prosa pelos políticos continua apenas no imaginário do povo. Todas as intervenções para a Copa de 2014 no Brasil revelaram o talento de nossos administradores e empreiteiros para os negócios, mas pior que isso, mostraram a inercia dos órgãos fiscalizadores e da própria justiça com aquilo que passou a fazer parte da cultura brasileira: a corrupção.

Metrôs, viadutos, VLTs, BRTs inacabados gerando desconforto à população e desperdício de dinheiro público em mais de oito estados governados por diferentes partidos. 

Porém, nenhum caso de corrupção é mais gritante do que os que ocorreram no Rio de janeiro. O estado que consumiu 1 ,3 bilhão só para reformar o Maracanã. Se colocarmos na ponta do lápis todas as falcatruas em nome da Copa de 2014, podemos sim, nos considerar um país de tolos governados por uma Organização Criminosa nefasta. 

Se vestir de verde e amarelo esquecendo do sangue das vítimas  é referendar nossa inconsequência política diante desses  crimes. A paixão pelo futebol e nossa sede por mais um título não podem nos cegar e nem nos calar. Não dá para fingir que não aconteceu. Perdemos em campo, no maior vexame proporcionado por uma seleção de futebol numa Copa do Mundo. O país do futebol caiu de joelhos em sua própria casa e, talvez não tenha sido a toa que isso tenha acontecido em terras mineiras. Talvez se tivéssemos aprendido um pouco mais de história com os nossos homens do passado, como Joaquim José da Silva Xavier, nossa reação diante dos crimes e da soberba de nossos governantes teria sido outra. 

“ Libertaquae será tamem” ou "A liberdade que tardia, todavia, apiedou-se de mim, na minha inércia". Mais um Gol da Alemanha. 
Somos todos brasileiros, torcedores - homens e mulheres cheios de esperanças e sonhos, mas isso não pode nos afastar da nossa história, construída com sangue de inocentes: índios, negros, brancos e mestiços, todos pobres. Um país que assiste o futebol com o fogo da vitória, mas que se nega a esquentar com esse mesmo fogo, a luta pela liberdade dos grilhões da ignorância e da manipulação midiática. 

Ser hexa é o que menos importa. Ninguém será campeão de verdade enquanto um único brasileiro estiver sem escola, sem saúde, sem segurança, sem transporte, sem justiça, sem comida e sem esperança. Mais um Gol da Alemanha, 7. Para nossa honra fizemos um, nossa paixão pelo futebol. 

Pense nisso, antes de comemorar o próximo gol do Brasil em 2018.
 

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