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Diálogo

Guido Mendes

Quando veremos o sol nas Américas?

16/04/2018 às 10h57

Depois de tudo, voltemos ao iluminismo, afinal foi onde o assunto começou

O “pai do Iluminismo” John Locke ,  era um defensor da razão,  e comparava a mente humana a uma tábua rasa vazia de ideias. A educação – teoria e pratica -,  seria a semente evolutiva das ideias.   Infelizmente, abaixo da Linha do Equador, o iluminismo não floresceu e, ao contrario, as ideias absolutistas e feudais  do passado europeu vivem nos dando o ar da graça. De tempos em tempos, as nações latinas americanas, na presunção de seus herdeiros, são dominadas pelo que há de mais perverso na ideia humana – o obscurantismo.

Através do medo e pelas baionetas, as elites que herdaram os territórios pilhados dos nativos ameríndios transformam os sonhos dos jovens por uma democracia sólida e de distribuição das riquezas em um pesadelo, resultando no caos social e institucional. 

Acreditar que um dia a utopia da liberdade, da igualdade e da fraternidade se façam presentes em nossas ricas terras é acreditar no impossível e mais ainda, pensar que um dia, o pensamento vivo e orgânico do novo continente possa pulsar nas veias de cada cidadão que aqui vive, é quase insanidade.

Nosso sistema educacional nos induz à preguiça, à ignorância do nosso DNA miscigenado e, com isso vamos entregando os cargos de mestres, juízes, presidentes, parlamentares, jornalistas, empresários e  tantos outros a homens e mulheres sem contato com a seiva da sua própria constituição cultural.

Por que o “iluminismo” não pode raiar na América latina?  As Américas sempre foram o terreno a ser violado pelos desbravadores. O Brasil, o gigante adormecido, para sempre será celeiro. Deu o ouro, a cana, o café. Dará o petróleo, o nióbio, o aço, o agro e a água. A sanha do mundo em nossas riquezas nunca terá fim... até chegar ao nosso sangue.  Pode parecer discurso esquerdista, socialista, comunista, mas, não é não. É discurso que invoca o respeito á soberania e, fundamentalmente a liberdade de um povo que cansou de ser traído por seus próprios pares.

Um povo que vê seus mártires enforcados, degolados, assassinados e, até suicidados, em silêncio, aguardando do patrão, a ordem do que sentir. Um povo que perdeu a capacidade de acreditar que faz parte da transformação e passou a orar nos templos daqueles que o achaca.

Passamos a substituir termos como nacionalismo, soberania por flexibilização. Estão flexibilizando nossas riquezas, assim, como foi flexibilizada nossa mão de obra. Isso tudo debaixo de um silêncio, sem fim. Sem bater de panelas ou buzinaços. Substituímos governos chamados de corruptos e incompetentes por um outro governo de fato, corrupto e incompetente, mas que dança a valsa do neoliberalismo mundial. Sim, trocamos o nosso samba de poucas roupas e corpos à mostra nos terreiros pela pompa da dama que valsa rodopiando inerte enquanto levantam suas anáguas nos grandes salões da globalização. 

Em contrapartida nos oferecem os dados positivos do mercado e da inflação abaixo da meta. Sobram desempregados e caminhamos a passos rápidos de volta ao mapa da fome e da miséria.

Enquanto todo esse filme é encenado, ficamos esperando que a justiça se faça. Afinal, a lei é para todos. Só que não. A operação LAVA JATO, ícone maior da moralidade brasileira promete varrer a corrupção sistêmica do cenário político e, por incrível que pareça tem gente que acredita. A encenação é digna de Oscar, gerando filmes e séries, mas, os poucos que ainda sonham com o brado de um povo heroico, que não sejam panelas manipuladas, veem a dança da justiça para proteger aqueles que o interesse internacional quer no poder – a mão das privatizações e do entreguismo barato.

Depois de tudo, voltemos ao iluminismo, afinal foi onde o assunto começou.

O Estado absolutista alimenta-se do conflito. Ele semeia a discórdia entre as classes ou segmentos sociais para poder se preservar no poder se apresentando como o senhor que vai gerar ou manter o equilíbrio entre as partes. E geralmente faz isso, através de concessões públicas às grandes corporações financeiras. Com isso, a velha burguesia trabalha para estimular a produção, gerar empregos e sustentar de forma quase parasita a sua nobreza improdutiva.

Qualquer semelhança com o que vivemos hoje no Brasil não é mera coincidência. Os últimos números da economia nos revelam que a riqueza continua nas mãos de uma meia dúzia, o restante da massa, divide aquilo que cai do prato, os farelos.  E a justiça, o parlamento, o poder executivo e os meios de comunicação o que fazem para corrigir essa imoralidade? Nada. Porque esses são os burgueses que nos governam. Assim foi e assim voltou a ser. E no horizonte há nuvens turvas e muitos raios.

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