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ESTADO/RJ

20 de fevereiro de 2012 · 08:00

Oferta de crédito incentiva empresários das áreas pacificadas

Reprodução

Fundo UPP Empreendedor vai oferecer financiamentos de até R$ 15 mil a partir de março

Fundo UPP Empreendedor vai oferecer financiamentos de até R$ 15 mil a partir de março

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A partir de março, micro e pequenos empreendedores poderão expandir seus negócios através de um novo canal de crédito, gerando emprego e renda em comunidades pacificadas. As linhas de financiamento, que podem chegar a R$ 15 mil, serão disponibilizadas pela  Investe Rio  (Agência de Fomento do Rio de Janeiro) por meio do Fundo UPP Empreendedor. As primeiras comunidades beneficiadas serão Rocinha e Vidigal, na Zona Sul.
 


“Desta maneira movimentamos a economia, com mais empregos nas comunidades. A criação do fundo vem somar esforços à recuperação econômica dessas áreas e à melhoria da qualidade de vida da população local,” afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, destacando que inicialmente serão oferecidos R$ 6 milhões em créditos.
 
O cabeleireiro Leonardo Louçana Ferreira, de 38 anos, é um dos empreendedores bem-sucedidos do Complexo do Alemão. Além da paz, moradores de áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) têm a oportunidade de desenvolver o espírito empresarial através da cursos profissionalizantes e oferta de crédito.
 
Leonardo participou de uma das qualificações oferecidas pelo Escritório de Gerenciamento de Projetos do Rio de Janeiro (EGP-Rio), da Secretaria da Casa Civil. O comerciante foi premiado no curso de empreendedorismo, recebeu recursos no valor de R$ 20 mil, pôde colocar o plano de negócio que desenvolveu na qualificação em prática e ampliou seu salão de beleza.
 
“Abri o salão com meus irmão Renato e André e meu pai José em 1991. Não achava que poderíamos aumentar os nossos lucros. Depois que fiz o curso, ampliei o meu horizonte, aprendi a administrar o salão e a atrair mais clientes. Com o prêmio que ganhei, reformei o salão. Quero crescer ainda mais aqui na comunidade, que recebe cada vez mais visitantes depois da pacificação,” disse Leonardo, que emprega cinco pessoas.
 
Comerciantes em busca da formalização de seus negócios

O Complexo do Alemão e a Rocinha possuem mais de 11 mil empresários. De acordo com o censo empresarial realizado pelo EGP-Rio de 2009, o Complexo do Alemão contava com 5.367 empresas. Dos 5.189 entrevistados, apenas 398 eram formais. Na Rocinha, foram registrados 6.529 negócios, sendo 90,9% informais. Para a coordenadora dos projetos sociais da Casa Civil, Ruth Jurberg, a formalização dos negócios é hoje uma tendência comum das comunidades pacificadas.


“Durante um ano e meio, realizamos censos domiciliar e empresarial na Rocinha, no Alemão e em Manguinhos. Incentivamos o comerciante a buscar a formalidade através de cursos e treinamentos, além da disponiblidade de microcrédito. Começamos com a capacitação dos moradores que escolheram entre cursos de turismo, hotelaria, inglês e etc. Apenas na Rocinha e em Manguinhos, foram disponibilizadas 1.100 vagas,”explicou Ruth Jurberg.
 
Empreendimentos do entorno também são beneficiados

Uma pesquisa do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL) revelou o impacto do comércio no entorno de 17 comunidades com UPPs. Para 23% dos comerciantes, o movimentou cresceu depois da pacificação. Na Zona Oeste, esse número chega a 30,6%. Na Zona Norte, a pacificação das comunidades da Tijuca foi um dos motivos para o gerente da Centro Ótica, Robson Carmo, abrir sua loja em uma das entradas do Morro do Borel.


“Me mudei da Praça Saens Peña para a Rua São Miguel, na Usina, porque me sinto mais seguro. Não é como há alguns anos. Outro motivo é que os moradores da comunidade do Borel são nossos clientes e resolvemos ficar mais perto deles. É um ótimo ponto,” contou Robson Carmo.
 
Educação profissionalizante para os moradores

Inspirada em pequenos empreendedores como Leonardo e Márcio, Monique Machado, de 27 anos, buscou a profissionalização. A jovem fez o curso de Confeitaria no Centro de Educação Tecnológica e Profissionalizante (Cetep) Chapéu Mangueira e entrou para a lista de comerciantes que colaboram para o desenvolvimento econômico de sua comunidade.


“Estava desempregada e precisava de um emprego. Procurei um curso gratuito na unidade da Faetec e minha vida mudou: hoje, eu recebo encomendas, mas agora já virou uma renda extra, porque comecei a trabalhar na comunidade como agente de saúde. O dinheiro a mais, que veio depois da qualificação, também me ajuda a pagar a faculdade de Serviço Social,” disse.
 
Turismo alavanca negócios


Da Zona Norte a Zona Sul, as comunidades com UPPs viraram atrações turísticas, o que impulsiona o comércio local. Com vista para alguns dos mais belos cartões postais da cidade, as áreas recebem visitantes diariamente. O guia turístico Gilson Silva, morador do Morro Dona Marta, aproveitou o crescimento de turistas na comunidade onde nasceu para tornar seu sonho realidade.


“O morro possui 34 pontos turísticos, entre eles o mais visitado: o Espaço Michel Jackson, onde o cantor gravou o clipe da música "They don´t care about us". Por isso, decidi investir na área, e hoje sou monitor de turismo. Fiz um curso de especialização através do projeto Rio Top Tour, da Secretaria de Esporte e Lazer, para fazer do turismo a minha profissão,”disse Gilson.




Imprensa / RJ

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