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Mercado de colhedoras de cana deve ter 2018 de estagnação ou até encolher

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25/04/2018 às 19h08

Reprodução
As declarações ocorrem às vésperas da 25ª Agrishow, feira de tecnologia agrícola que será realizada em Ribeirão Preto

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O mercado de colhedoras de cana no Brasil deve ficar estagnado ou mesmo encolher em 2018, resultado da saturação no segmento, das dificuldades financeiras entre as usinas e do próprio ganho de eficiência dos equipamentos, que reduz a necessidade de trocas, avaliaram à Reuters as fabricantes desses produtos no país.

As declarações ocorrem às vésperas da 25ª Agrishow, feira de tecnologia agrícola que será realizada em Ribeirão Preto (SP), principal polo canavieiro do Brasil, entre 30 de abril e 4 de maio.

As vendas de colhedoras de cana chegaram a registrar um boom no início da década, na esteira de um protocolo agroambiental que previa o fim das queimadas em praticamente todos os canaviais até 2014.

Desde então, porém, a comercialização se reduziu, e atualmente o setor nacional conta com aproximadamente 700 máquinas em operação, contra mais de 1 mil no passado recente, segundo cálculos das fabricantes. Só no primeiro trimestre de 2018, a queda nas vendas foi de 25 por cento, de acordo com a Anfavea.

“(A demanda por colhedoras) praticamente chegou ao limite, já que mais de 95 por cento da colheita nacional de cana é mecanizada. Estamos em um nível de saturação”, disse Roberto Biasotto, gerente de Marketing de Produto da Case IH, empresa da CNH Industrial que ao lado de John Deere e Valtra, da AGCO, dominam o segmento no país.

Maior produtor mundial de cana, o Brasil conta com uma área de cerca de 10 milhões de hectares da matéria-prima do açúcar e do etanol, processando na última safra (2017/18) em torno de 635 milhões de toneladas, conforme dados do governo.

O país também é líder global em vendas de colhedoras, respondendo por 80 por cento de todo esse mercado.

“Já era esperado que (o setor de colhedoras) fosse chegar a uma maturidade. As decisões de investimentos pelas fabricantes ficam mais rigorosas agora... Para nós, isso representa um desafio, precisamos entender o que o cliente precisa”, acrescentou Biasotto, que vê o mercado com viés de estabilidade ou recuo em 2018.

USINAS EM CRISE

Não é apenas a “saturação” na mecanização da colheita que responde pelo desaquecimento do setor. Muito desse cenário também deve-se às dificuldades financeiras da indústria de cana, que viu várias indústrias fecharem as portas nos últimos anos e cujo endividamento atual é estimado em cerca de 80 bilhões de reais.

“A gente vem de quatro, cinco anos ruins no segmento. Isso vem inibindo novos investimentos. Para este ano, principalmente por causa do preço do açúcar, isso está trazendo uma menor rentabilidade para as usinas”, afirmou o diretor de Vendas da AGCO para a Valtra, Alexandre Vinicius de Assis.

Com efeito, a referência internacional do açúcar bruto na Bolsa de Nova York vem sendo negociada no menor patamar em mais de dois anos em virtude da perspectiva de ampla oferta.

Para Assis, a queda de 25 por cento nas vendas de colhedoras no primeiro trimestre sinaliza um ano bem fraco.

“Historicamente, 70 por cento das vendas de todo o ano concentram-se no primeiro semestre, quando tem início a safra”, explicou.

Uma colhedora não é um investimento barato. Embora as fabricantes não abram valores, calcula-se que só o equipamento custe entre 1 milhão e 1,1 milhão de reais. Esse aporte fica ainda maior quando considerados o trator e o transbordo, que completam o “combo” necessário para a colheita.

EFICIÊNCIA

A boa notícia fica por conta do ganho de eficência das colhedoras nos últimos anos, em meio a um maior uso de tecnologia, o que também reduz a necessidade de reposição das máquinas.

De acordo com o diretor de Vendas da John Deere no Brasil, Rodrigo Bonato, isso permite uma espécie de rodízio entre as colhedoras, evitando que todas sejam usadas ao mesmo tempo e precisem de grandes reparos no término da safra.

“A usina pega agora as máquinas todo o mês para fazer a reforma, mantém um quadro dedicado e fixo, e consequentemente vai dando a manutenção. Em dez meses (de safra) fez toda a reforma do maquinário, reduzindo o custo de manutenção dessas máquinas, porque ela não chega a quebrar”, comentou.

“Quando você alia agricultura de precisão com gerenciamento de frota, você ganha gerenciamento de operação, o que significa agricultura de decisão”, afirmou.

Conforme Biasotto, da Case IH, atualmente essas máquinas conseguem colher cerca de 700 toneladas de cana por dia, podendo checar a 1 mil dependendo do modelo. Há alguns anos, porém, o volume era praticamente a metade, entre 300 e 400 toneladas.

Para o futuro, o setor vê o RenovaBio, a nova política de biocombustíveis do Brasil, como algo importante para puxar os investimentos na cadeia produtiva de álcool.

“O RenovaBio está totalmente ligado. Para triplicar a oferta de etanol, precisa de mais cana. Isso vai puxar o mercado de máquinas”, disse Biasotto, ressaltando que os efeitos do programa, atualmente em fase de regulamentação, levarão alguns anos para aparecer, já que as decisões de investimento não são imediatas.

Pelas estimativas do próprio governo, o RenovaBio pode gerar investimentos de 1,4 trilhão de reais e economia de 300 bilhões de litros em gasolina e diesel importados nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio


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