Brasileiro não leva a sério suicídio e depressão: por quê?

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Saúde

Brasileiro não leva a sério suicídio e depressão: por quê?

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10/09/2019 às 11h09

G1
Jovens brasileiros sentem vergonha de falar do assunto e não acreditam na importância do tratamento

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Além de saberem pouco sobre depressão, os jovens brasileiros sentem vergonha de falar do assunto e não acreditam na importância do tratamento, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE em diferentes regiões do Brasil.

A doença pode levar ao suicídio e, de acordo com o psiquiatra Celso Lopes de Souza, do Programa Semente, o primeiro erro com relação ao tema é justamente não falar sobre ele. "Já está mais do que comprovado que falar sobre o assunto não agrava a situação, muito pelo contrário, pode ajudar a tratar as pessoas", afirma.

O suicídio é a segunda causa de morte que mais atinge os jovens de 15 a 29 anos no mundo, dizem dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E mais: só no Brasil, uma pessoa comete suicídio a cada 45 minutos. E as pesquisas mostram ainda que 9 a cada 19 pessoas que se matam tinham algum transtorno psiquiátrico.

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Mas no levantamento do IBOPE, mais de 1 a cada 4 entrevistados do grupo de 18 a 24 anos (26%) acredita que a depressão é uma "doença da alma". Além disso, apesar de saberem que há tratamento, esse mesmo grupo não acredita na sua eficácia.

Ver essa realidade, diz a diretor médica da empresa farmacêutica parceira do estudo, Pfizer Brasil, "é muito preocupante porque a doença representa um dos diagnósticos mais frequentes entre as pessoas que tiram a própria vida".

Depressão é doença

Cerca de 29% desses jovem também não vêem a depressão como uma doença que pode ser tratada como as outras. Enquanto isso, entre os entrevistados com mais de 55 anos, a porcentagem tanto do reconhecimento da doença como da eficiência do tratamento caem em 11%.

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Em São Paulo, os dados foram ainda mais gritantes: 26% dos internautas não acreditam ou duvidam da chance de tratar a depressão com sucesso. A situação é ainda mais preocupante entre os jovens de 13 a 17 anos.

23% (1 a cada 5) não acredita que existam sintomas físicos na depressão, porque ela seria apenas "um momento de tristeza". Além disso, 34% deles não tomariam antidepressivos se fossem prescritos por médicos. A porcentagem entre 18 e 24 anos é de 23%.

Essa resistência tem a ver com o desconhecimento sobre os antidepressivos mais modernos. Mas "vale lembrar que estamos falando de uma doença de elevado potencial incapacitante, que pode ser associada a um desfecho trágico, que é o suicídio, mas que pode e deve ser trata", explica Márjori.

Antidepressivos funcionam?

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Mais de 60% dos entrevistados mais jovens, de 13 a 24 anos, não sabem e/ou duvidam sobre a eficácia dos novos antidepressivos. Além disso, 1 em cada 4 acha que eles podem "viciar o organismo" ou provocar o ganho de peso e diminuição da libido.

Entretanto, "na verdade, tanto a falta de concentração como a queda de libido podem ser sintomas do próprio quadro depressivo", explica Elizabeth Bilevicius, líder médica Upjohn, divisão da Pfizer focada em doenças crônicas não-transmissíveis.

Vergonha da depressão

De acordo com a pesquisa, a desinformação é uma das causas que levam ao estigma e à vergonha que o paciente sente tanto em admitir a doença quanto a falar do assunto.

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Essa condição se estende às pessoas do convívio próximo, mesmo amigos e família. 39% dos jovens de 13 a 17 anos disseram que não falariam à família se recebesse um diagnóstico de depressão. De 18 a 24 anos, 56% do grupo declarou que não falaria no trabalho ou na escola.

Isso porque como os colegas não levam a depressão à sério, não acreditaria que a pessoa está realmente doente.

Depressão em homens

Os homens são a maior porcentagem dos casos de suicídio, influenciados por transtornos mentais, como a depressão. Mas os tabus sobre a depressão também se mostraram mais fortes entre eles. A maior parte não acredita que uma atitude positiva e alegria de viver são suficientes para vencer a doença.

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Um pouco menos da metade associa depressão a um sinal de fraqueza ou de pouco força de vontade. Além disso, valorizam menos o suporte médico para o tratamento da doença. Acreditam mais no acompanhamento psicológico e na prática de exercícios.

Depressão: psiquiatra ou psicólogo?

Procurar ajuda do psiquiatra começa a ganhar mais força entre os mais velhos, acima de 35 anos. Entretanto, a maior parte das pessoas procurariam primeiro o psicólogo. Segundo Márjori, isso acontece justamente porque as pessoas subestimam a depressão como doença.

"Certamente, o psicólogo tem um papel muito importante no acompanhamento do paciente, mas o psiquiatra é o profissional habilitado a estabelecer o diagnóstico e o tratamento médico adequado", explica.

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Novo olhar sobre a Saúde Mental

As conclusões da pesquisa "Depressão, suicídio e tabu no Brasil: um novo olhar sobre a Saúde Mental", feita com cerca de 2 mil brasileiros a partir dos 13 anos de idade, levou ao lançamento da campanha: "Na Direção da Vida - Depressão sem Tabu".

O projeto está sendo conduzido pela Upjohn, uma divisão focada em doenças crônicas não-transmissíveis, e pela área de Medicina Interna da Pfizer. Tem apoio também da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA) e conta com a participação do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Fonte: Minha saúde


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