Crianças não podem ser consideradas psicopatas. Entenda

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Crianças não podem ser consideradas psicopatas. Entenda

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04/10/2019 às 14h10

Reprodução
Transtorno de conduta, que precede a psicopatia, pode desaparecer ao longo do desenvolvimento; entre os sintomas estão mentir em excesso e crueldade.

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Crianças não podem ser consideradas psicopatas, segundo especialistas. A psquiatra Hilda Morana, especialista em psicopatia e psiquiatra forense pela USP, afirma que o cérebro está em formação até os 17 anos. Nesse período, o chamado transtorno de conduta pode ou não evoluir para psicopatia após a chamada poda sináptica, que ocorre dos 17 aos 25 anos. 

A pode sináptica é o mecanismo de substituição de sinapses, ponto de comunicação entre dois neurônios, pouco usadas por novas. "O neurônio nasce com várias possiblidades de conexões e vai escolhendo as conexões que são mais utilizadas. Podemos comparar com um jardim. Você começa a caminhar no jardim e, por onde mais anda, para de nascer grama e se forma uma trilha. A poda sináptica é o caminho que o neurônio daquela pessoa acaba escolhendo", explica o psiquiatra Ênio Roberto de Andrade, especialista em infância e adolescência do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ele ressalta que, embora desde a infância a criança possa apresentar traços de comportamentos psicopáticos, classificados dentro do transtorno de conduta, o diagnóstico de psicopatia só é permitido, por definição, após os 18 anos. "Com o passar do tempo, esses traços podem aumentar ou diminuir, levando ao desaparecimento do transtorno", afirma.

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Segundo ele, cerca de 5% a 10% crianças têm transtorno de conduta, mas apenas uma pequena porcertagem irá evoluir para psicopatia. "É raro", diz. 

Hilda explica que a criança ou o adolescente com transtorno de canduta apresenta comportamentos padrões como ser insensível, falar muita mentira, gostar de atividades perigosas que liberem adrenalina como andar em cima do telhado, além de botar fogo em objetos e judiar de animais.

"São muito excitados e não aguentam ficar sentados na sala de aula, por exemplo. Apresentam também uma capacidade fantástica de fazer intriga, são muito convincentes. Não são apenas levados, são cruéis. Podem ter explosão de violência, são muito agressivos", afirma.

"É preciso tomar cuidado ao fazer a avaliação da psicopatia, porque um comportamento ou outro fora da regra não caracteriza o transtorno. O verdadeiro psicopata é sedutor e ninguém descobre. A principal característica desse transtorno é não ter empatia com o sofrimento do outro", acrescenta Andrade. 

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A psiquiatra dá como exemplo o caso de um paciente. "Ele tem 12 anos e um transtorno de conduta clássica. Roubou dinheiro da bolsa da avó para dar presente para a namorada e, proibido de sair pela mãe, jogou um prato pesado pela janela. A mãe quer castigar. Tirar celular, videogame. Mas castigar não resolve, pois ele fica mais revoltado. A premiação funciona mais que o castigo. O mais adequado é negociar", diz. "No verdadeiro psicopata, o comportamento alterado permanece", completa. 

De acordo com os especialistas, o transtorno de conduta é herdado geneticamente e o ambiente, que inclui educação e outros fatores, irão influenciar o desenvolvimento ou não da psicopatia.

"Favorecem o desaparecimento do problema um ambiente onde as regras são claras, há limites, não existe violência e se consegue mostrar que todos os atos trazem consequências. Mas alguns casos, mesmo com uma boa educação, vão continuar com o transtorno", afirma Andrade. 

A psiquiatra explica que o exame Pet Scan (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons) ajuda na confirmação do diagnóstico da psicopatia. " A área sub-orbitária do lobo frontal, que é uma área extensa relacionada ao caráter, fica azul na neuroimagem porque quando há o problema, a área não absorve glicose. No transtorno de conduta essa área pode amadurecer", explica.

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Segundo ela, existe tratamento à base do anticonvulsivante capaz de fazer uma neuromodulação inibitória, tirando a excitação do paciente. "É uma forma de controlar o comportamento perigoso.", diz. Ela ressalta que só é possível fazer o tratamento com orientação médica.

Fonte: R7 Saúde


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