Retirar o apêndice pode diminuir os riscos de ter doença de Parkinson, diz nova pesquisa

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Saúde

Retirar o apêndice pode diminuir os riscos de ter doença de Parkinson, diz nova pesquisa

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03/11/2018 às 12h48

Reprodução
O estudo mostra que pessoas que retiraram o apêndice tiveram redução nas chances de desenvolver Parkinson

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A doença de Parkinson pode ter origem nas profundezas do sistema digestivo, de acordo com um novo estudo realizado por cientistas norte-americanos.

A pesquisa, publicada na revista Science Translational Medicine, descobriu que as pessoas que tiveram seu apêndice removido tinham menos chance de desenvolver essa doença neurodegenerativa.

Segundo os cientistas, no apêndice, pequeno órgão cuja utilidade no corpo humano ainda é uma dúvida, há a acumulação de uma proteína associada ao Parkinson, a alfa-sinucleína. Mutações dessa proteína foram encontradas em pacientes com a doença em pesquisas realizadas anteriormente.

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Viviane Labrie, uma das autoras do estudo, disse que essa proteína "é capaz de viajar pelo nervo que conecta do trato gastrointestinal (onde fica o apêndice) até o cérebro, se disseminar e ter efeitos neurotóxicos".

A organização sem fins lucrativos de pesquisa e apoio Parkinson UK, do Reino Unido, diz que a descoberta representa a evidência mais forte de que a origem da doença pode estar localizada fora do cérebro.

Na doença de Parkinson, proteínas tóxicas se acumulam no cérebro e matam os nervos, especialmente aqueles ligados ao movimento. Embora possa parecer contraintuitivo, há evidências crescentes de que o sistema digestivo está ligado à doença.

Papel do sistema digestivo e do apêndice

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Pesquisadores do instituto Van Andel Research, em Michigan, nos Estados Unidos, analisaram dados médicos de 1,6 milhão de suecos em mais de 50 anos. Eles constataram que o risco de desenvolver a doença de Parkinson foi 19% menor naqueles pacientes que haviam passado pela cirurgia de remoção do apêndice.

O estudo, no entanto, aponta que essa relação ocorreu apenas em pacientes que retiraram o órgão anos antes de desenvolverem os primeiros sinais de Parkinson. Aqueles que retiraram o órgão após apresentarem sintomas de Parkinson não tiveram nenhuma melhora no quadro.

A pesquisa também mostrou que quase todas as pessoas estudadas tinham a proteína alfa-sinucleína em seu apêndice.

O apêndice é uma pequena bolsa localizada na entrada do intestino grosso e é visto, pela maioria dos cientistas, como um órgão sem utilidade, daí muitas pessoas viverem normalmente sem ele após sua retirada por causa da inflamação apendicite.

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"Apesar de ter uma reputação de algo completamente desnecessário, o apêndice desempenha um papel importante no nosso sistema imunológico, na regulação da composição de nossas bactérias intestinais e agora, como mostramos com o nosso trabalho, na doença de Parkinson", diz a pesqusiadora Labrie.

O apêndice obviamente não é o único fator que entra em jogo na doença Parkinson . Nesse caso, removê-lo resolveria o problema.

Mas os pesquisadores argumentam que o sistema digestivo é um solo fértil para essa proteína alfa-sinucleína, que viaja através do nervo vago até o cérebro.

Labrie diz que o estudo não quer fazer com que as pessoas removam o apêndice.

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"Não estamos promovendo a apendicectomia como uma forma de proteger contra a doença de Parkinson", afirmou. "Seria muito mais sensato controlar ou reduzir a formação excessiva de alfa-sinucleína para reduzir sua superabundância ou impedir que ela escape."

O interesse pelo papel do sistema digestivo no desenvolvimento do Parkinson está crescendo.

Isso porque os pacientes geralmente relatam problemas digestivos.

Diferenças

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"Esta pesquisa é verdadeiramente importante porque nos dá uma das evidências mais convincentes até o momento de que a doença de Parkinson pode começar fora do cérebro, e esta é uma ideia revolucionária que está começando a surgir no mundo científico", diz à BBC News Claire Bale, da organização Parkinson UK. "Entender onde e como Parkinson se origina será absolutamente crucial no desenvolvimento de tratamentos que possam pará-lo e potencialmente preveni-lo."

Fonte: G1 Bem Estar



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