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Saúde

04 de fevereiro de 2012 · 08:00

Hipocondria e ansiedade: dois problemas que podem estar relacionados

Reprodução

Indivíduos hipocondríacos apresentam também sintomas de transtorno do pânico

Indivíduos hipocondríacos apresentam também sintomas de transtorno do pânico

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A idéia popular de que pessoas hipocondríacas buscam o tempo todo se medicar tem um pequeno erro. Os hipocondríacos, na verdade, têm reações exageradas a determinadas situações e prováveis sintomas, e tendem a uma hipereação ou hipervigilância. E é por causa dessas reações que elas buscam os médicos e a medicação. Agora, um estudo brasileiro recente, busca correlacionar a hipocondria e os transtornos ansiosos e do pânico.

“A hipocondria é uma interpretação ‘disfuncional’ que um indivíduo tem acerca de um determinado sintoma no seu corpo. Uma pequena variação no batimento do coração, por exemplo, e ela vai achar que está começando a desenvolver taquicardia e pode ter um ataque do coração. Essa reação vai gerar um círculo vicioso, onde o nervosismo vai causar cada vez mais palpitações e conseqüente pânico”, explica o psicólogo, pesquisador da Pontíficia Universidade de Minas Gerais (PUC/MG) e autor de uma metanálise sobre o tema, Nilson Crevelaro.

Na literatura médica, diz o pesquisador, a hipocondria não é considerada uma espécie de transtorno ansioso. Porém, indica o especialista, é possível que haja sim uma inter-relação entre as duas condições.

“Hipocondria e ansiedade podem ter relações de comorbidade [quando duas condições aparecem associadas]. Isso porque, diversas pesquisas apontam que indivíduos hipocondríacos apresentam também sintomas de transtorno do pânico, que é descrito como um dos transtornos ansiosos”, explica Crevelaro.

A catástrofe que se instala, na visão dos indivíduos ansiosos e hipocondríacos, não é necessariamente baseada em evidências. “Há uma disfunção no modo de interpretar aquele sinal do corpo e é isso que causa a busca intensa por saná-la. Indivíduos hipocondríacos buscam médicos para curar algo que não há. Quando eles se vêem diante de repetidos resultados negativos, eles tendem a achar que são os profissionais de saúde que estão errando”, diz o pesquisador.

Essa negativa dos médicos pode levar, conseqüentemente, à automedicação e riscos reais à saúde. Além disso, um remédio pode gerar efeitos adversos, que vão ser interpretados como uma piora ou uma nova condição pelos hipocondríacos. Novamente os ataques de pânico e ansiedade podem estar novamente presentes.

“O estudo tenta aproximar a hipocondria aos transtornos ansiosos, pois isso pode ajudar os médicos que se deparam com esse tipo de paciente a identificar melhor o que pode estar ocorrendo e indicar o tratamento adequado, que pode ser, por exemplo, acompanhamento psicológico”, indica Crevelaro.

É bom lembrar, entretanto, que nem toda pessoa ansiosa é hipocondríaca. “A relação parece existir especialmente quando as preocupações existentes com a saúde não se dão unicamente durante as crises de pânico”, aponta o especialista. Entretanto, notar traços de transtornos ansiosos em um indivíduo com uma boa saúde, mas que insiste na idéia pouco consistente de que tem uma determinada condição, pode ser uma maneira de ajudar de forma mais efetiva esse tipo de paciente, finaliza o pesquisador.

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