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Campos e Estado do Rio descumprem decisão de 129 leitos no município, diz Defensoria

O município de Campos e o Estado do Rio de Janeiro descumpriram a decisão de implantar 129 leitos para atendimento de pacientes da Covid-19. A informação foi confirmada pela Defensoria Pública do RJ na noite desta sexta-feira (05/06). Na semana passada, o município ampliou de 19 para 29 leitos. Logo cumpriu pouco do que foi determinado e o estado não cumpriu nada. ... continuar lendo

Aqui tem história

Rafaela Machado

O patrimônio arquitetônico campista em perspectiva: O Solar dos Airizes

03/05/2020 às 07h13 03/05/2020 às 07h17

Bruno Sales
Foi sede do antigo engenho de açúcar - localizado originalmente nos fundos e demolidoem finais do século XIX.
Quem passa pela BR 356, rodovia que liga Campos a São João da Barra, se impressiona com a imponência de um antigo Solar construído em suas margens e muito familiar entre os campistas. Estamos falando do Solar dos Airizes, este mesmo que entrou para a memória local como “o casarão da escrava Isaura”.

O Solar dos Airizes, primeiro imóvel a ser tombado pelo IPHAN em Campos ainda nos idos dos anos de 1940, foi sede de antigo engenho de açúcar - localizado originalmente nos fundos e demolido em finais do século XIX.

Em sua forma atual, foi construído em princípios do século XIX a pedido do Comendador Cláudio do Couto e Souza, tendo, tempos depois passado a pertencer à família do ilustre campista Alberto Lamego.

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Nos últimos anos, em 2014, foi vendido por esta mesma família à empresa do sul do Brasil ligada ao ramo imobiliário – o que gerou muita controvérsia localmente, uma vez que há muito era vislumbrada a criação, através da Prefeitura Municipal, do chamado “Museu do Açúcar” ou ainda o “Centro de Cultura Popular” naquela edificação.

Possuindo uma arquitetura considerada sóbria e equilibrada, o Solar tem como estilo característico o colonial de inspiração neoclássica. Possui em seu interior belíssima capela, tipicamente ornamentada com pinturas artísticas. No entanto, cabe ressaltar que o tombamento estava relacionado não somente à imponência do Solar, mas também à importância do acervo – pinacoteca e mobiliário - de seu ilustre morador àquela altura – Alberto Frederico de Moraes Lamego.

Duas ponderações são importantes sobre o Solar dos Airizes. Originalmente, aquelas terras pertenceram aos jesuítas e à vasta Fazenda de Nossa Senhora da Conceição e Santo Inácio, ou apenas Solar do Colégio, atualmente edifício que abriga o Arquivo Público Waldir Pinto de Carvalho. Com o advento das Reformas Pombalinas no ano de 1759 e expulsão da Companhia de Jesus das possessões portuguesas, aquelas terras foram compradas pelo comerciante português Joaquim Vicente dos Reis. Logo após a sua morte, o Solar do Airizes – em sua forma original – foi herdado por sua filha Maria Joaquina do Nascimento, casada com o Capitão Paulo Francisco a Costa Viana. Após a morte deste novo proprietário, o Solar foi o adquirido também pelo português Comendador Cláudio do Couto e Souza, este sim responsável pela construção do edifício na sua forma atual.

Outro ponto muito comentado acerca da história do Solar relaciona-se ao fato de ter servido de inspiração para o romancista e poeta Bernardo Guimarães escrever o romance “Escrava Isaura”, bem como também ter servido de locação para algumas cenas da primeira versão da novela gravada pela Rede Globo entre os anos de 1976 e 1977. História e lenda se misturam de tal forma que acaba sendo ponto comum entre os campistas que lá teria vivido de fato uma escrava branca, e que muitas vezes ainda hoje é possível escutar barulhos de correntes, gritos e cantorias no entorno da “casa da escrava Isaura”.

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Diz-se ainda que na primeira noite de lua cheia é possível ver passar pela estrada uma mulher arrastando correntes para se banhar no rio que passa em frente à propriedade.
A história narrada por Bernardo Guimarães no ano de 1875 tem como ambientação o município de Campos e parece ter se passado em algum lugar nas imediações de São Fidélis, já que segundo passagem da própria obra, a edificação ficava ao “sopé de elevadas colinas cobertas de matas” e fundos para a barranca do grande rio – Paraíba do Sul.

Temos que ressaltar que a obra de Bernardo Guimarães se insere no contexto das lutas abolicionistas e de crise da escravidão, e Campos, àquela altura, era reduto de um atuante movimento abolicionista e uma das maiores regiões escravistas do Brasil.

Além disso, outra constatação é que a gravação original feita pela TV Globo da novela “Escrava Isaura”, objeto de exportações para mais de 150 países e que tinha como pano de fundo a paixão de um senhor pela sua escrava branca, teve como cenários para locação a cidade de Conservatória e fazendas localizadas na região de Vassouras, no interior do estado do Rio de Janeiro.

As cenas de interior, por sua vez, foram gravadas em cenários dos estúdios da TV Educativa e da Herbert Richers. O que pouco falamos por aqui, é que a direção dessa obra, de autoria do novelista Gilberto Braga, foi compartilhada por Milton Gonçalves com o campista Herval Rossano, falecido em 2007. Rossano foi responsável também pela direção geral da última versão da novela gravada pela TV Record em 2004.

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Apesar de sabermos do peso das lendas e histórias, fato é que não há provas sobre a presença do escritor Bernardo Guimarães nas terras do Solar, nem há qualquer registro oficial da passagem deste por Campos. Mas, é como bem afirmam alguns: qual campista mesmo diante das evidências, não sente certo orgulho em dizer “Eis a casa da Escrava Isaura”?

Em tempo, a pinacoteca de Alberto Lamego encontra-se hoje no Museu Antônio Parreiras, em Niterói, e o vasto acervo documental colhido por este autor em arquivos e instituições do Brasil e da Europa foi vendido para o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo.

Fonte: Rafaela Machado - Diretora do Arquivo Público

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