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Rafaela Machado

Origens da Maçonaria em Campos

28/06/2020 às 09h29 28/06/2020 às 09h31

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Reprodução
A Maçonaria é tema que desperta a curiosidade de muitas pessoas
A Maçonaria é tema que desperta a curiosidade de muitas pessoas. Por ser uma instituição muito antiga em Campos e com bases históricas sólidas e profundamente relacionadas a muitos acontecimentos e fatos da nossa região, trago este tema para o “Aqui tem História”. Espero que com essa leitura você possa não só conhecer um pouco mais sobre essa prática realizada em todo mundo há séculos, como também compreender de que forma a Maçonaria chegou e avançou em Campos.
Neste breve artigo, apresento a você, amigo leitor, uma rápida definição sobre a Maçonaria, sua chegada ao Brasil e, finalmente, sua chegada a Campos, apresentado as Lojas criadas nos primeiros anos da Maçonaria em Campos.
 
Mas, afinal, o que é Maçonaria?
Assentada sobre pilares de grande valor histórico, a Maçonaria é, essencialmente, uma instituição filosófica, filantrópica, educativa e progressista que se sustenta sobre princípios humanos universais: liberdade, igualdade e fraternidade. Só isso não basta para explicá-la, mas é já o suficiente para começar a entendê-la melhor. Trabalhando para o melhoramento moral, intelectual e social da humanidade, seus iniciados devem ter como objetivos a investigação da verdade, o constante exame da moral, a prática da virtude e do amor ao próximo.
Talvez desde já importe ressaltar que a Maçonaria não é uma sociedade ou entidade secreta, diferente do que muitas vezes se propaga, mas sim uma instituição que preza pela mística de muitas de suas práticas e simbolismos, o que confere a ela toda essa áurea de obscurantismo que tantas pessoas por vezes temem por desconhecer. No entanto, é preciso ainda desmistificar muito do que ainda hoje se diz sobre a Maçonaria, sobre seus ritos e seus praticantes.
A Maçonaria é uma ordem iniciática e ritualística baseada no livre pensamento e na tolerância, que objetiva o aprimoramento espiritual do homem para o bem da sociedade. Embora não seja uma moral ou religião, reconhece-se como religiosa e espiritualista, pois acredita na existência do Grande Arquiteto do Universo – universal, regulador, supremo e infinito princípio criador, ainda que sem definição própria e que cada um interpreta de acordo com as suas convicções, religião ou princípios.

As bases da atual Maçonaria Moderna surgiram a partir da criação da Grande Loja de Londres, em 1717, e do lançamento das chamadas Constituições dos Franco-Maçons, do teólogo James Anderson em 1723, aceita como a Magna Carta da Maçonaria, e que estabelece os direitos e deveres de todos os maçons. Cabendo ainda ressaltar, no entanto, que várias outras versões dão conta da existência de ritos maçons desde antes de Cristo, ainda na Antiguidade. Originariamente, o termo “Maçonaria” significa uma construção feita por um “maçom”, portanto, feita por um “pedreiro-livre”, isto é, homens que trabalhavam para empregar seu conhecimento na construção de edifícios, catedrais, igrejas, palácios e templos. Como vimos, modernamente, o maçom identifica-se como o “livre-pensador”, aquele que se encarrega da construção do melhoramento humano, seja ele moral, intelectual ou social.

Mantendo as tradições, os maçons procuraram se adequar a passagem dos tempos, às muitas mudanças às quais tiveram que ser submetidos. Apesar disso, conseguiram manter a essência do que permite reconhecer e identificar a Maçonaria mesmo com o passar dos séculos e mesmo diante da diferença de ritos praticados e dos muitos países em que se a pratica e segue. No entanto, a importância da prática do rito assegura aos maçons a celebração de costumes e tradições centenárias, resguardados por eles como forma de manutenção não apenas das estruturas do Templo, mas deles próprios.

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Algumas palavras do vocabulário maçom são sempre presentes em sua prática e precisam ser definidas para o chamado mundo profano – não iniciados na Maçonaria – até para o melhor entendimento deste texto. A Loja é o Templo em que tais cerimoniais e reuniões acontecem. Uma vez reunidos dentro da Loja, ou em trabalho / estudos litúrgicos dentro do Templo, os obreiros – maçons – estarão organizados segundo suas hierarquias: de aprendiz (grau 1), companheiro (grau 2) e mestre (grau 3). O que se chama aqui de rito pode ser definido, em linhas gerais, como as regras que regem uma Loja em seus cerimoniais. Conhecido como o primeiro rito praticado no Brasil está o Rito Adonhiramita, e entre os mais disseminados figuram os Rito de York ou de Emulação – mais praticado no mundo, Rito Escocês Antigo e Aceito – mais praticado no Brasil, Rito Moderno ou Francês, Rito Schroeder ou Alemão – pouco praticado no Brasil, e Rito Brasileiro, embora estes não sejam os únicos. Importante mencionar que cada rito irá variar de acordo com o lugar e o contexto de sua criação.
 
A Maçonaria no Brasil

Oficialmente, o início da Maçonaria no Brasil está atrelado ao início das atividades do Grande Oriente do Brasil - GOB, instituição máxima da organização em 17 de Junho de 1822. No entanto, mesmo antes da fundação do GOB, o Brasil já contava com organizações iniciadoras da Maçonaria, em movimentos como a Inconfidência Mineira (1789), o Areópago de Itambé em Pernambuco (1796), considerado por muitos como a primeira agremiação maçônica do Brasil, até a criação em 1815 da Loja Comércio e Artes, no Rio de Janeiro, sociedade secreta comprometida com a causa da independência e considerada o embrião do GOB e logo proibida de funcionar por Alvará Régio.

O que se percebe é que as ideias trazidas da Europa por estudantes brasileiros recém-chegados, bem como a chegada da Família Real, em 1808, ao Rio de Janeiro, aceleraram o processo de circulação e integração em solo nacional dos ideais maçônicos, integrados cada vez mais à causa da independência.
Depois de conseguir retomar suas atividades em 1821, a Loja Comércio e Artes – agora sob o título de Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro, junto a outras já existentes - Loja Esperança de Niterói e Loja União e Tranquilidade -, deu origem ao Grande Oriente do Brasil, contando para isso com participação indispensável do patriarca da independência, José Bonifácio.

Não há espaço nesta coluna para contarmos a história da Maçonaria no Brasil, já que aqui vamos nos dedicar a falar sobre Campos, mas vale mencionar que logo de inicio, José Bonifácio fora aclamado como 1º Grão-mestre, porém, pouco antes da independência, numa clara articulação política, D. Pedro I foi iniciado na Maçonaria - sob o título de Guatimozim – último imperador asteca, sendo instalado Grão-mestre em lugar de José Bonifácio.
 
A Maçonaria em Campos

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Ao que tudo indica, a Maçonaria foi introduzida em Campos quando em 1830 foi fundada a Loja Maçônica União Campista, ligada então ao Grande Oriente Provisório. Ainda naquele ano de 1830, em 16 de fevereiro, foi criada a Loja Firme União, 11ª a ser criada no Brasil, pertencente ao rito Moderno. Em seguida foi criada a terceira, Loja Philantropia e Moral, hoje desaparecida e para a qual não nos restam muitas informações.

Em 1848 surgiu nova Loja, denominada Triunfo da Virtude, de nº 91, pertencente ao Rito Escocês – hoje também desaparecida. A quinta Loja a surgir em Campos foi denominada Símbolo da Perfeição Brasileira, criada em 1855, de nº 106 e pertencente ao Rito Escocês. Em 1870, também pertencente ao Rito Escocês, fora fundada a 03 de dezembro daquele ano a Loja Progresso, nº 204 – que até hoje se encontra em pleno funcionamento de suas atividades e por ela já passaram grandes nomes de destaque da nossa cidade, como Sebastião Viveiros de Vasconcelos, César Nascentes Tinoco, Ernesto Lima Barreto, Benedito Gonçalves Pereira Nunes, Raul Abbott Escobar, entre outros de grande prestígio social e político.

A Loja Goytacaz foi a sétima a ser criada em Campos, apesar dos períodos em que esteve “adormecida” – termo utilizado para se referir às Lojas que têm seus ofícios pausados -, fundada em 1873 e praticante do Rito Escocês. Em 21 de agosto de 1895, sob o nº 481, foi criada a Loja Honra a Saldanha Marinho, primeira a praticar em Campos o Rito Adonhiramita. Como veremos adiante, no ano de 1913, importante fusão aconteceu entre as Lojas Firme União, Goytacaz e Honra a Saldanha Marinho, marcando indelevelmente a Maçonaria em Campos.

A nona Loja a ser formada em Campos, embora de duração efêmera (apenas três anos), tinha em seu quadro de irmãos figuras ilustres na sociedade e na política campista. Fundada em 25 de agosto de 1900, a Loja Poder, praticante do Rito Escocês, contava com membros como o Dr. Francisco Portela, José Carlos Pereira Pinto, Julio Armond, Henrique Meireles Caspary e Antonio Gonçalves Patrão.

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A décima Loja a ser criada em Campos marca bem a singularidade campista. Em princípios do século XX, logo no ano de 1902 – em 30 de maio, foi criada na cidade a Loja Anita Bocayuva, composta por vinte e quatro mulheres muito prestigiadas na sociedade e sob a proteção da Loja Honra a Saldanha Marinho, ou seja, como loja de adoção desta. A duração da Loja foi também muito curta, diante dos muitos protestos sofridos por aquelas senhoras, principalmente do GOB – que em 25 de dezembro de 1903 expediu decreto cassando os direitos de funcionamento da Loja.

Em 25 de junho do ano de 1913, importante fusão aconteceu entre as Lojas Firme União nº 11, Goytacaz nº 251 e Honra a Saldanha Marinho nº 481, dando origem então à L. M. Fraternidade Campista. A união, perpétua e indissolúvel, após alguns impasses, optou pela denominação L. M. Fraternidade Campista e associada ao subtítulo honorífico Honra a Saldanha Marinho, incorporou todos os direitos e obrigações das antigas Lojas, mantendo, inclusive, o nº 11 em antiguidade. Portanto, a L. M. Fraternidade Campista é a mais antiga instituição maçônica em funcionamento em Campos, admitindo então no momento da fusão naquele ano de 1913 o Rito Moderno sob os auspícios do Grande Oriente do Brasil, embora hoje praticante do Rito Escocês, e elegendo como Venerável o Dr. Arthur Emiliano Costa. Optava, portanto, por não mais utilizar o Rito Adonhiramita, antes praticado pela Loja Saldanha Marinho.  

Alguns dos irmãos que no ano de 1913 haviam participado da fusão das três Lojas que deram nome à Fraternidade Campista – Firme União, Goytacaz e Honra a Saldanha Marinho -, desejosos de dar continuidade à utilização do Rito Adonhiramita, de forma voluntária e amistosa, reuniram-se no ano de 1919 com o intuito de fundar uma Loja, sendo esta chamada de Atalaia do Sul. Assim, criada em 12 de julho de 1919 foi instalada por Carta Constitutiva de 13 de agosto daquele mesmo ano, com o n° 0949 e sob os auspícios do Rito Adonhiramita – elemento definidor da identidade Atalaiana até os dias atuais.
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Mantendo as tradições, os maçons procuraram se adequar a passagem dos tempos, às muitas mudanças às quais tiveram que ser submetidos. Apesar disso, conseguiram manter a essência do que permite reconhecer e identificar a Maçonaria mesmo com o passar dos séculos e mesmo diante da diferença de ritos praticados e dos muitos países em que se pratica e segue.

Por certo, em tão poucas linhas, mão me é possível apresentar toda a história da Maçonaria. Logo, o que foi apresentado aqui, foi um breve esboço do que é essa prática, como ela chegou ao Brasil e, principalmente, como se estabeleceu em Campos nos primeiros anos. Nesse quesito, é importante ressaltar que os iniciados na Maçonaria, são homens que tiveram seus nomes também ligados ao desenvolvimento político e econômico da região.
 
*Este texto é parte adaptada do livro “L. M. Atalaia do Sul: A Centenária do Paraíba – 1919-2019”, escrito em conjunto por mim e pelos autores Larissa Manhães Ferreira, Letícia Silva Nunes e Luís Felipe Ferreira de Oliveira por ocasião dos 100 anos da L. M. Atalaia do Sul e disponível para venda na própria Loja.

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                                                                                                                          Rafaela Machado

 

Fonte: Rafaela Machado

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