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Rio das Ostras confirma primeiro óbito por coronavírus

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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

O envelhecer

05/01/2020 às 19h54

O envelhecer
 O termo velhice é apresentado de várias formas por inúmeras teorias e conceitos do senso comum. Neste texto, velhice e idade avançada serão apreciadas dialeticamente, pois, o jovem de hoje está no idoso de amanhã, assim como, o idoso de hoje está no jovem de amanhã.

Para a psicanálise há o sujeito do inconsciente e do desejo. Com Freud e Lacan, aprendemos que o sujeito, referido ao inconsciente, não envelhece, assim como o desejo se caracteriza por seu caráter de insistência e não desistência, não dependente da idade.

Em “Nossa atitude para com a morte”, Freud afirma que: no inconsciente cada um de nós está convencido de sua imortalidade. É somente como espectadores que podemos imaginar algo em relação à nossa própria morte. No inconsciente, onde habita nosso desejo, não há uma representação simbólica da morte. Considerando o postulado psicanalítico do inconsciente, não há como falar em idade cronológica, da mesma forma que não há idade para o desejo, e, enquanto houver desejo, há uma aposta em vida.

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O sujeito é o desejo, tal como Lacan afirmava. Nesse sentido, pensamos que o envelhecer não representa só um momento de perdas, pode ser também um tempo de usar potenciais adormecidos, fazer projetos com mais liberdade e tempo livre.

Em muitos casos, a pessoa que se diz velha, é aquela que perdeu a capacidade ou várias habilidades físicas e motoras para exercer sua vida.

No passar do tempo atravessamos muitas perdas, como lidamos com elas é uma questão complexa como afirmava Freud. Se o luto implica um trabalho de elaboração frente a uma perda significativa, não sendo, a princípio, patológico, na melancolia não há a possibilidade de simbolizar a perda. A melancolia traz em si um desânimo profundo e penoso aliado a incapacidade de amar.

A perda que se apresenta no luto diz respeito a uma perda objetal, já na melancolia, a perda objetal transforma-se em uma perda relativa ao eu. Freud afirma que: “no luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio eu”.

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O sujeito melancólico representa seu eu como sendo desprovido de valor, incapaz de realizações e moralmente acabado. Assim, o termo "velho" é questionável, pois como atravessamos nossas perdas independe do tempo cronológico.

 Ficando por aqui, vamos ver o que Freud tem para nos dizer sobre o valor e o tempo:

     ..."a beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor, porque a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal". (Freud)

                                                                  Luiz Roberto Duncan

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                                                                         Psicanalista


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