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Coluna do Psicanalista

Luiz Duncan

Um Tempo

14/02/2020 às 12h41

Uma separação sempre traz em si um sofrimento. Sair de um relacionamento é, também, desistir de sonhos e planos feitos com a outra pessoa. Acredito que a maioria das pessoas casa com a certeza do para sempre, ou seja, que avançará por toda vida nessa união.

Quando acaba, a descompensação surge. O chão fica invisível, o corpo delira e o coração quase não bate; dor e morte se misturam. Tudo perde o sentido. Perdemos uma parte de nós mesmo e as certezas viram dúvidas.É comum se questionarem sobre o que poderiam ter feito de outra forma, buscar interpretações para o término e lamuriar pelos bons momentos perdidos.

A separação é muito parecida com as vivências que surgem quando alguém querido morre; um luto intenso se apresenta. O entendimento que a Psicanálise faz do luto não diz respeito apenas à morte concreta do objeto amado, mas também ao rompimento de um relacionamento. Diante da morte de um ente querido, nossa mente se comporta de forma equivalente àquilo que se desenha com o fim de uma relação.

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Freud, em "Luto e melancolia" (1917), indica a necessidade de um tempo determinado para o trabalho de luto ser concluído e o ego se ver novamente livre e desinibido para novas investidas libidinais. A ruptura de uma relação amorosa demanda um trabalho psíquico, a travessia de um processo de luto, no qual questões referentes à subjetividade de cada parceiro precisam ser elaboradas.Apesar de ser doloroso, o luto é um processo natural e necessário, que não deve ser visto como patológico, a menos que se estenda por um longo período. Vale salientar que sua duração varia de pessoa para pessoa.

Enfim, crises, lutos e rupturas fazem parte e são essenciais no processo neuropsicológico de se apreender algo, é quando o sujeito deve encarar seus fantasmas e as ilusões criadas a partir do imaginário. Não se trata de iniciar uma nova relação enquanto o amor não vire saudade, saudade do próprio sujeito desejante, aquele que não para as lágrimas diante de uma música, e tem no desejo constância. Como diz a música: ”saudade de tu, meu desejo”

A distância entre os amores é um espaço de tempo, tempo do desinvestimento, tempo de “plantar o jardim e decorar a alma, em lugar de esperar que alguém mais te traga flores”. Einstein nos disse que o tempo existe para que as coisas não aconteçam todas ao mesmo tempo e que é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda a parte.

 

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                                                            Luiz Roberto Duncan

                                                                     Psicanalista

 

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