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Sociologia na Prática

Renata Souza

Pandemia não cria agressor

27/06/2020 às 08h00 27/06/2020 às 04h55

Clique aqui para ouvir o podcast
Reprodução
Confira o Podcast deste sábado (27) da socióloga Renata Souza.
Não é novidade que estamos passando por uma crise mundial de saúde. Tenho ouvido muita gente falar que o coronavírus nos tornou iguais. E lamento lhe informar que essa igualdade não é real. O covid-19, pode até ser um vírus “democrático”, isto é, ele não faz distinção de cor, de gênero e de classe. Mas os indivíduos serão afetados de forma distinta dependendo de sua origem social. Inclusive, o acesso ao tratamento será determinado pelas diferenças de cor, de gênero e de classe, uma vez que essas condições vão determinar quem vive e quem morre.

O isolamento social é um privilégio de poucos em um país tão desigual como o nosso. Além disso, a crise de saúde tem impactado especialmente as mulheres. Uma vez que elas, em condições “normais”, já sofrem com a sobrecarga de trabalho. Isto é, trabalham fora e também em casa, o que, por si só, já compromete o desempenho das mesmas no acesso e permanência no mercado de trabalho e/ou nos estudos.

O confinamento social tem aumentado as tensões sobre as famílias e, principalmente, sobrecarregado as mulheres, que são as maiores responsáveis pela manutenção do trabalho doméstico. A pandemia trouxe à tona os problemas enfrentados por nós. O problema dos trabalhos invisíveis, isto é, os trabalhos ligados à vida. Pois, além do home office, que a maioria de nós está fazendo, ainda precisamos tomar conta dos estudos dos filhos, cuidar dos mesmos em tempo integral. Fazer todo o serviço doméstico e manter a casa tranquila para que o companheiro possa fazer seu home office.

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Obviamente, o coronavírus trará consequências negativas para vida de todo o planeta, homens e mulheres sofrerão, eu sei disso. Porém, as desigualdades de gênero serão acentuadas neste momento de crise e trará impactos desproporcionais para as mulheres. Isso porque, segundo dados do IBGE, as mulheres estão mais sujeitas à informalidade do que os homens. Mais de 90% dos trabalhadores domésticos são mulheres, logo, com a pandemia, não estão podendo trabalhar, o que aumenta a dependência financeira e a pauperização das mesmas.

A necessidade de ficarmos em isolamento social tem colocado a vida de muitas mulheres em risco, já que a casa nem sempre é o lugar mais seguro para uma mulher. Segundo estudos feitos pelo Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, duas em cada três vítimas de feminicídio foram mortas dentro da própria casa. Feminicídio, para quem não sabe, é o homicídio doloso, quando o agressor tem a intenção de matar, praticado “contra a mulher por razões da condição de sexo feminino”. O crime envolve “violência doméstica e familiar” e ainda o “menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

 Semana passada, ouvi a seguinte frase: “Pandemia não cria agressor”, proferida pela advogada Kamila Carino, em uma live sobre a Lei Maria da Penha. Isso porque o Brasil, independentemente da pandemia, ocupa a quinta posição no ranking mundial de mortes de mulheres, as quais têm como principal agressor marido, ex-marido, companheiro, ex-companheiro, namorado ou ex-namorado. E o fato de estarmos há mais de 100 dias em isolamento social, por conta do covid-19, não fez com que os números da violência doméstica diminuíssem.

Independentemente da pandemia, as delegacias continuam abertas 24 horas. É possível fazer boletins de ocorrência on-line ou por telefone. Assim sendo, não podemos aceitar nenhum tipo de violência com a justificativa de que é efeito da pandemia, pois estamos todos, homens e mulheres, submetidos às pressões e às mazelas da crise. E lembre-se: “Pandemia não cria agressor”.

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A Live pode ser conferida na integra no instagram do @generalizando.

Fonte: Renata Souza

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