A história, essa juíza que não aceita embargos de declaração, guarda seu veredito mais ácido não para os bárbaros que derrubam os portões, mas para os sentinelas que os abrem por pragmatismo. Nos anos 1930, o mundo não sucumbiu apenas à psicose de Berlim; ruiu, fundamentalmente, sob a pax de papel de Neville Chamberlain. O apaziguamento de ontem chamava-se diplomacia; o de hoje atende pelo nome de janela de oportunidade.
Donald Trump é o sol em torno do qual orbita uma nova constelação de autocratas, de Viktor Orbán a Javier Milei, mas ele só brilha porque há quem lhe forneça o combustível da legitimidade. No Brasil, esse fenômeno ganha contornos de uma comédia de erros com final trágico. Assistimos, pari passu, à ascensão de políticos que, nas eleições atuais, flertam com a extrema direita para herdar o espólio da massa, acreditando que podem cavalgar o tigre sem serem devorados. Ledo engano. A história é um cemitério de moderados que acharam que poderiam domesticar a hidra.
A nossa elite financeira, a onipresente Faria Lima, opera sob uma lógica de autismo ético. É a turma que repudia o estilo de Trump ou de seus congêneres locais, mas saliva diante do conteúdo de suas planilhas. Para esses operadores, a democracia é um custo de transação indesejado. Se o autoritarismo vier acompanhado de uma reforma administrativa que fustigue o serviço público ou de uma desvinculação orçamentária que asfixie o social, eles aplaudirão.
É o autoritarismo de planilha. Enquanto denunciam, com o dedo em riste, o populismo cambial, silenciam diante da erosão das instituições. Aceitam a violência estatística contra os mais pobres como um ajuste necessário, mas tratam o teto de gastos como um dogma sagrado, intocável, quase bíblico. É a violência elegante: não se usa o porrete, usa-se o juro.
Parte da grande imprensa brasileira, em um esforço de equidistância que beira a pusilanimidade, ajuda a pavimentar esse caminho. Combatem o autoritarismo de boné e motociata, mas legitimam o autoritarismo que dita a fome por meio de indexadores. Ao transformar o debate econômico em uma religião técnica fechada aos não iniciados, isolam a política e a soberania popular do que realmente importa.
O resultado é a criação de um ecossistema onde o extremismo deixa de ser uma patologia para se tornar uma opção de prateleira. Políticos de centro e de direita tradicional agora mimetizam a gramática da intolerância para não perderem o bonde da história. Esquecem-se de que, ao validar o método do bárbaro, eles perdem a razão de existir. Tornam-se apenas o extremismo diet, à espera de serem substituídos pelo original.
Não há mal menor quando o que está em jogo é o pacto civilizatório. Quem contemporiza com a negação da ciência, com o desprezo pelas minorias ou com o ataque sistemático ao processo eleitoral em troca de uma alta na Bolsa está, na verdade, assinando a própria sentença de irrelevância.
Trump e seus avatares tropicais não são sinais de força; são sintomas da nossa decadência moral. O apaziguamento moderno é a covardia disfarçada de análise técnica. E a decadência, quando adotada como estratégia eleitoral ou econômica, cobra um preço que nenhuma planilha de Excel é capaz de calcular. O veredito virá. E, como diria o clássico, a história não absolve os mornos; ela apenas os esquece na cova rasa do arrependimento tardio.
A história, essa juíza que não aceita embargos de declaração, guarda seu veredito mais ácido não para os bárbaros que derrubam os portões, mas para os sentinelas que os abrem...
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