Sábado, 21 de março de 2026
Brasil e Mundo

Brasileiros no Líbano vivem drama e medo em meio à escalada da guerra

Conflito entre Israel e Hezbollah provoca temor e destruição, impactando a comunidade brasileira no país

Por Fabrício Freitas
21/03/2026 às 11h26

Brasileiros no Líbano relatam medo diante dos ataques contínuos no sul do país / Foto: HUSSEIN MELHEM/ARQUIVO PESSOAL

A guerra entre Israel e o grupo político-militar Hezbollah tem causado impacto direto na população do Líbano, especialmente no sul do país, região mais afetada pelos bombardeios intensos. Em menos de três semanas, o conflito forçou a retirada de mais de um milhão de pessoas de suas casas, deixando um rastro de violência com aproximadamente mil mortos e 2,5 mil feridos. O Líbano abriga a maior comunidade brasileira no Oriente Médio, com cerca de 22 mil brasileiros residindo no país conforme dados do Ministério das Relações Exteriores em 2023.

Relatos de brasileiros no Sul do Líbano

Hussein Melhem, libanês naturalizado brasileiro de 45 anos, vive em Tiro, cidade localizada no litoral sul do Líbano, onde os combates mais intensos ocorrem. Ele despertou na madrugada de 2 de março com o prédio tremendo e resolveu sair às pressas com a família, levando apenas roupas básicas. Desde então, o cenário ao redor tem sido de raiva, tristeza e grandes incertezas, agravadas pela dificuldade de retornar ao trabalho e pela destruição de sua casa e comércio, uma padaria local.

O sul do Líbano apresenta ruas desertas, com forte destruição da infraestrutura, incluindo o bombardeio de 12 pontes que dificultam o acesso ao sul. Hussein relata o sofrimento ao ver famílias desabrigadas em barracas sob chuva e frio, enquanto luta para encontrar um novo lar para sua família. Ele e a esposa têm três filhas de 17, 15 e 7 anos, e atualmente sobrevivem em uma casa emprestada que deverão deixar em poucos dias, diante da impossibilidade de arcar com aluguel.

Medo e impacto nas famílias

Outro brasileiro-libanês na região, Aly Bawab, de 58 anos, que vive em Manaus, viajou para o Líbano para visitar parentes dias antes do início dos ataques. Presenciou a queda de um edifício atingido por míssil em sua cidade natal e se deslocou para Beirute, onde os bombardeios continuam diários. O impacto físico das explosões é sentido intensamente, e ele relata tremores no corpo causados pelas vibrações das explosões próximas, uma experiência traumática tanto para ele quanto para seus três filhos.

Bawab destaca o contínuo estado de alerta e medo das crianças e familiares, revelando que muitos amigos perderam parentes ou não conseguiram deixar a região mais atingida. A incerteza sobre a duração e os desdobramentos do conflito contribui para um sentimento geral de desamparo e ansiedade entre os brasileiros que ainda estão no país.

Contexto e avanço do conflito

Especialistas, como a historiadora Beatriz Bissio, professora da UFRJ, apontam que a estratégia de Israel no Líbano tem semelhanças com as ações na Faixa de Gaza, caracterizando uma ofensiva que causa grande sofrimento à população civil, especialmente no sul do Líbano. O agravamento da guerra internacional iniciou-se após ataques coordenados no início de março envolvendo Israel, Estados Unidos, Irã e a retomada das ações reforçadas do Hezbollah em retaliação a assassinatos de lideranças e ofensivas anteriores.

Desde 2 de março, as forças israelenses afirmam ter atingido cerca de 2 mil alvos no território libanês e reportam ter eliminado 570 integrantes do Hezbollah, mantendo operações terrestres focadas no sul do país. O Hezbollah, por sua vez, anuncia diariamente ataques contra alvos em Israel, com dezenas de operações militares recentes. O conflito, que tem raízes desde a década de 1980, intensificou-se nos últimos anos, retomando tensões após o rompimento do cessar-fogo estabelecido em 2024.

A destruição de aldeias, a paralisação da agricultura e o sofrimento da população civil são questões ressaltadas por analistas e testemunhas locais, como expressam os relatos de brasileiros no país. Apesar do cenário devastador, a determinação das comunidades em permanecer na região mostra a complexidade histórica e cultural que envolve a presença dos habitantes desde períodos antigos.

Seguir acompanhando os desdobramentos desse conflito no Oriente Médio é fundamental para entender como a guerra afeta não apenas as populações diretamente envolvidas, mas também estrangeiros e comunidades distantes, como a brasileira. O Ururau continuará atualizando as informações para seus leitores na região do Norte Fluminense e em todo o estado do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Brasil

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