Quinta-feira, 26 de março de 2026
Curiosidades

COP15 avança na proteção de 42 novas espécies migratórias em Campo Grande

Negociações seguem dentro do prazo e ampliam fiscalização ambiental

Por Fabrício Freitas
26/03/2026 às 10h43

COP15 debate inclusão de novas espécies migratórias para conservação / Foto: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, vive seu momento de avanço ao alcançar a metade da programação com a discussão de propostas para ampliar os esforços de conservação internacional. Atualmente, estão sendo analisadas as propostas de inclusão de 42 novas espécies migratórias que poderão receber proteção mais efetiva. Este trabalho faz parte da revisão das duas listas que acompanham a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, com destaque para espécies em risco de extinção e aquelas sob pressão ambiental.

Negociações avançam na revisão das listas de espécies

De acordo com o presidente da COP15 e secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, o acompanhamento do cronograma da conferência indica que não houve atrasos até o momento. A comissão organizadora constatou que as atividades estão fluindo conforme o previsto, sem relatos de problemas que possam interferir no desenvolvimento das pautas da conferência.

As discussões sobre as listas de espécies em risco e sob pressão registram intensa participação dos países envolvidos, que têm solicitado esclarecimentos científicos para fundamentar a inclusão ou revisão da classificação de diversas espécies. Este processo é essencial para garantir que as decisões tomadas tenham respaldo técnico e acadêmico, facilitando a cooperação entre os países para a proteção desses animais em suas rotas migratórias.

Durante os primeiros dias da conferência, foram apresentados diversos estudos, incluindo relatório que aponta o declínio preocupante de peixes migratórios de água doce, considerados os mais ameaçados do mundo. A COP15 se apresenta como um fórum aberto para que cientistas, representantes de povos indígenas, quilombolas e organizações da sociedade civil apresentem novos dados e recomendações, enriquecendo o debate e impulsionando políticas ambientais alinhadas às necessidades reais da biodiversidade.

Iniciativas brasileiras reforçam proteção ambiental

Antes do início oficial da COP15, o Brasil adiantou ações relevantes para fortalecer a conservação das espécies migratórias em seu território. Um decreto presidencial destacou a criação do Parque Nacional do Albardão e da Área de Proteção Ambiental do Albardão, no Rio Grande do Sul. Com mais de um milhão de hectares que se estendem da costa terrestre por 106 quilômetros mar adentro, a região abrange diversos níveis de profundidade, oferecendo proteção abrangente à biodiversidade marinha.

Na Cúpula dos Líderes da conferência, foram anunciados mais decretos para ampliar áreas de conservação. Entre eles, a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais e a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e da Estação Ecológica de Taiamã, em Mato Grosso. Essas iniciativas ampliam mais de 145 mil hectares destinados à preservação da fauna, flora e corredores ambientais essenciais para a sobrevivência das espécies migratórias.

Além dos decretos ambientais, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, lançou um edital para fomentar pesquisas científicas dedicadas a mapear as rotas migratórias nacionalmente. O objetivo é identificar quais áreas já contam com proteção legal e quais necessitam de medidas adicionais para garantir segurança às espécies durante suas viagens.

Pesquisa e justiça ampliam a conservação no Pantanal

A conferência também registrou avanços no campo da Justiça ambiental, com o anúncio da criação das primeiras varas especializadas no bioma Pantanal. Essas unidades do Ministério Público Federal e da Justiça têm papel fundamental na atuação contra crimes ambientais e na defesa do patrimônio natural da região. A iniciativa demonstrou o compromisso do país em fortalecer a proteção do Pantanal, bioma chave para inúmeras espécies migratórias.

O presidente da COP15 ressaltou que o Brasil busca liderar pelo exemplo, adotando ações concretas para além das negociações internacionais. A estratégia envolve implementar políticas, fomentar pesquisas e ampliar áreas protegidas, fortalecendo a conservação e o compromisso ambiental diante da comunidade global.

Fonte: Agência Brasil

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