O suor, o pão e a sorte

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O suor, o pão e a sorte

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25/10/2020 às 08h08 Lucas Arantes (Estagiário)

Davison Alves - Instagram: d.a. Desenhos
O suor queima a pele, seca e abre as feridas

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Deixa pra amanhã. Tô cansado da lida. A noite caiu, mas a dor nas costas não foi embora. A lavoura tá destruindo comigo. 

Amanhã a gente proseia. Por hoje me dou por satisfeito. A cabeça já não tá boa. Vou acabar embolando a prosa e dormindo bem no meio dela. 

O tempo passa e a gente definha. O suor queima a pele, seca e abre as feridas. Só o pão me consola.  Agora tomo remédio pra tudo e pra tudo tem remédio. Pior que não cura, só faz encher a gaveta com o que o médico diz ser a última novidade. 

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Quando saio pra ir ao banco receber minha aposentadoria, só vejo farmácia pela cidade. Quando volto, paro em quase todas pra distribuir meu provento. 

Prefiro minhas ervas do mato: macaé, quebra pedra, olhos de nossa senhora, erva cidreira, boldo, carqueja... tem até pé de novalgina. 

Me benzo com folhas de guiné, arruda, tomo banho de alevante. Minha vó já dizia: a fé não pode faltar. Vou dormir e vagar com meus sonhos, velhos como eu. Amanhã , antes de sair tomo uma garrafada, pego a enxada e eito o roçado de quiabo. Plantei também abacaxi e mandioca. 

Tenho que vigiar pra não roubarem. Minha enxada e meu facão estão afiados. O sol a pino facilita e atrapalha. Esquenta a água no cantil e o corpo. Até o vento está baforando. Todo dia 40 graus. 

CONTINUA DEPOIS DO INFORMATIVO

No final do dia rego a horta. Pra não me queimar uso manga de camisa com punho fechado, bota, calça e chapéu. Já vi companheiro desmaiar, mas eu não desmaio não. Quando percebo que não tem nuvem no céu, procuro a sombra do ypê e respiro o ar. Encho o pulmão e agradeço a lida e me ponho a pensar. 

Levar o pão pra casa me enche de razão. Faz os meninos obedecer a mãe, que a tudo vê, e se põem a rogar por um amanhã mas justo pra todos nós. Meus rebentos, meu rebanho. Faço uma Prece poderosa de joelhos e à luz de vela.  

Pela fresta da janela encostada o Senhor olha e vê sua família reunida, se alimentando da mais pura fé que só gente como nós consegue cultivar. Esse é remédio que me cura todos os dias nessa vida arcaica. 

O trabalho dignifica e também mata a gente. O Altíssimo é a luz que nos alimenta de esperança que a justiça divina não falhe jamais. Deus seja louvado! 

Fonte: Jornalista Alfredo Soares

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