No Brasil, o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres ganha importante reforço no setor empresarial, que se torna peça chave na prevenção, intervenção e acolhimento das vítimas. Segundo Márcio Rosa, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as empresas devem ir além de apenas cumprir a legislação: precisam estimular uma mudança cultural profunda para reduzir o alto índice de feminicídios, que registra seis mulheres mortas por dia no país.
Prevenção e acolhimento nas empresas
No último dia 31, durante o evento Responsabilidade Empresarial no Enfrentamento ao Feminicídio, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, representantes de grandes companhias como Petrobras e Banco do Brasil destacaram o papel singular do ambiente corporativo para garantir locais de trabalho livres de violência e com canais seguros para denúncias. O secretário Márcio Rosa alertou para a necessidade das empresas atuarem não apenas internamente, mas estenderem essas práticas a toda a cadeia de fornecedores. Segundo ele, o silêncio ou omissão diante das agressões corresponde a uma falha ética que perpetua a violência.
O protagonismo das mulheres na formulação e implementação dessas políticas internas também foi tema central. Rosa ressaltou que a transformação cultural só é efetiva quando acompanhada de atitudes cotidianas e integradas à gestão. Exemplos como o Canal Mulher, da Magazine Luiza, mostram que o apoio prático às vítimas através de suporte jurídico e psicológico é eficaz para preservar vidas dentro do ambiente corporativo.
Mobilização para transformação cultural
A discussão ganhou corpo com a participação da presidenta do Pacto de Promoção da Equidade Racial, Wania Sant’Anna, que destacou a importância das empresas na conscientização social. Para ela, a violência contra a mulher está enraizada em uma cultura historicamente permissiva, que precisa ser enfrentada diretamente pelos empregadores em seus espaços e setores de atuação. Sua recomendação é que cada empresa use seus próprios canais para comunicar e alertar, seja exibindo cartazes nas bombas de postos de combustíveis ou adesivando aviões de companhias aéreas.
A Organização das Nações Unidas contribui com o Pacto Global, que orienta práticas corporativas para prevenir assédios morais e sexuais, violações que ainda são comuns nas instituições. Monica Gregori, diretora da iniciativa, ressaltou que o feminicídio é o último estágio dessa violência sistêmica e que a conscientização dentro das organizações é decisiva para interromper esse ciclo.
A primeira dama Rosângela Lula da Silva reforçou a urgência dessa pauta e lembrou que a misoginia digital também alimenta o problema, citando casos recentes de violência e discurso de ódio nas redes sociais, o que torna necessária a criminalização dessas práticas e o apoio amplo do setor privado a essas causas.
Mídia e sociedade na luta contra o feminicídio
O papel da mídia pública, representada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), foi destacado como peça fundamental para fomentar o debate e moldar novas visões sociais. O diretor-presidente da EBC, Andre Basbaum, afirmou que a programação da TV Brasil e dos demais canais da organização tem ampliado espaços para discussões sobre os direitos das mulheres e a violência de gênero, contribuindo para informar e sensibilizar o público.
A diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antonia Pellegrino, observou que a mídia ajuda a construir imaginações sociais capazes de transformar realidades, ao inserir temas como igualdade e respeito nas narrativas diárias. Essa ação complementa o esforço empresarial e governamental, potencializando o alcance das mensagens contra o feminicídio e outras expressões de violência.
A realidade dos números reforça a necessidade da atuação integrada. Em 2025, foram registrados 2.100 feminicídios e 4.700 tentativas, conforme estudo da Universidade Estadual de Londrina. Esses índices apontam para a urgência em transformar a cultura brasileira com atenção especial para ações preventivas, que envolvem desde o ambiente de trabalho até as políticas públicas e o engajamento da sociedade civil.
Os recentes atos administrativos, da lavra do desembargador Ricardo Couto, governador em exercício no estado do Rio de Janeiro, revelam que nós não tínhamos governos, mas desgovernos. As exonerações demonstram...
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, levou a cabo uma série intensa de reuniões nesta sexta-feira (17), demonstrando sua dedicação em ordenar a administração estadual diante...
A Companhia de Desenvolvimento de Maricá, a Codemar, homologou contrato de R$ 116.498.586,16 com a Metalúrgica Big Farm Ltda para o fornecimento e a montagem de unidades modulares destinadas a...
A Justiça da 3ª Vara de Bebedouro, interior de São Paulo, decidiu que a professora de estética Jussara Luzia Fernandes, de 63 anos, irá a júri popular pelo assassinato do...
O prefeito de Campos dos Goytacazes, Frederico Paes, nomeou o advogado Rodrigo Nogueira de Carvalho para assumir, interinamente e sem ônus, a presidência da Fundação Municipal da Infância e da...
Aviso importante: a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo (textos, imagens, infográficos, arquivos em flash etc) do Portal Ururau não é permitida sem autorização e os devidos créditos e, caso se configure, poderá ser objeto de denúncia tanto nos mecanismo de busca quanto na esfera judicial. Se você possui um blog ou site e deseja estabelecer uma parceria com o Portal Ururau para reproduzir nosso conteúdo, entre em contato através do email: comercial@ururau.com.br
