Domingo, 29 de março de 2026
Economia

Notícia-crime de 2021 no STF apontou comando paralelo no BC por Esteves e Campos Neto

Documento citava telefonema e pedia investigação ao Ministério Público

Por Fabrício Freitas
29/03/2026 às 10h13

Petição ao STF relata atuação de banqueiro e reação em Brasília / Foto: Grupo Esfera/Ilustrativa

Segundo notícia-crime proposta pela Associação Brasileira de Imprensa, em 9 de novembro de 2021, pelo jornalista Fábio Jerônimo de Sousa, que tramitou no Supremo Tribunal Federal (petição nº 10.032-DF), tendo como relatora a ministra Rosa Weber, o banqueiro André Santos Esteves, dono do BTG Pactual, e Roberto Campos Neto seriam quem mandavam efetivamente no Banco Central do Brasil.

Segundo ainda a notícia-crime, André Esteves, em palestra ofertada a clientes e investidores de seu banco, declarou que teria recebido um telefonema do presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto.

Segundo Esteves, Neto o teria consultado sobre quais políticas ele acreditava serem mais acertadas, mais exatamente sobre a queda da taxa de juros (Selic), bem como acerca do lower bound dos juros (conceito econômico que descreve a menor taxa de juros possível em uma economia).

Sendo certo que André Esteves falou o seguinte do telefonema recebido:

“E eu me lembro que o juros estava assim em uns 3,5% e Roberto me ligou para perguntar: ‘Pô, André, o que você está achando disso, onde você acha que está o lower bound?’. Eu falei assim: ‘olha, Roberto, eu não sei onde que está, mas eu estou vendo pelo retrovisor, porque a gente já passou por ele. Acho que, em algum momento, a gente se achou inglês demais e levamos esse juros para 2%, o que eu acho que é um pouquinho fora de apreço. Acho que a gente não comporta ainda esse juros’.”

Segundo ainda a notícia-crime, a atitude de Campos Neto, então presidente do Banco Central, seria incompatível com o cargo, não podendo receber conselhos oficiosos de banqueiros.

A ABI pediu, então, providências ao procurador-geral da República, à época, Augusto Aras, com a abertura de inquérito, com fundamento no artigo 27-D da Lei nº 6.385/76.

A notícia, à época, chegou a ser veiculada de forma discreta pelo jornal Folha de S.Paulo. Na matéria, o jornal trata, inclusive, do impeachment de Dilma.

A repercussão foi tão intensa em Brasília, em novembro de 2021, que André Esteves contratou o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

O próprio, em petição nos autos, admite a conversa, mas sustenta que ela foi gravada de forma clandestina.

No episódio, ficou claro, segundo a narrativa apresentada, que era Esteves, do BTG, quem influenciava a taxa Selic à época.

Também não se pode perder de vista que Paulo Guedes, fundador do BTG, era o então ministro da Economia.

Além disso, sustenta-se que, enquanto André Esteves teria influência sobre a taxa Selic, ao lado de Campos Neto, a mesma articulação abriria caminho para impulsionar o Banco Master.

Jamais o Master faria o que fez sem a proteção de Guedes, Campos Neto e André Esteves, uma vez que, segundo a narrativa, eram empresas ligadas a Esteves que comercializavam títulos do banco.

Nesse contexto, sustenta-se que o próprio Esteves teria admitido influência sobre o Banco Central.

O BTG Pactual passou a expandir suas aquisições de forma ampla.

Esse cenário, segundo a notícia-crime apresentada pela ABI, apresentaria elementos verificáveis, como data, hora e local.

Esse mesmo grupo, no Congresso, apresentou a PEC 65/2023 (Falamos AQUI), com o objetivo de impedir que o Banco Central pudesse ser investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Eleitoral.

AUDIO CITADO NA MATÉRIA:

Fonte: Fabricio Freitas

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