Os dados de 2025 sobre royalties e participações especiais mostram que o Rio de Janeiro vive uma verdadeira concentração de riqueza em poucos municípios, formando o que especialistas já chamam de nova elite dos royalties do petróleo. Embora Campos dos Goytacazes figure entre os maiores recebedores em valores absolutos, a cidade despenca quando o critério é quanto cada morador efetivamente recebe.
No ranking per capita, Campos aparece apenas na quinta posição entre os grandes recebedores, com cerca de R$ 1.360 por habitante ao ano, valor muito inferior ao de municípios que hoje lideram a concentração da renda petrolífera.
No topo da lista estão cidades com população bem menor e arrecadações bilionárias. Saquarema lidera com aproximadamente R$ 20.347 por morador, seguida de Maricá, com cerca de R$ 19.645 por pessoa. Arraial do Cabo também figura entre os grandes beneficiados, com mais de R$ 16.800 per capita.
Na sequência aparecem Macaé, com R$ 5.255 por habitante, e Niterói, com R$ 4.593. Campos surge bem abaixo desse grupo, mesmo sendo uma das maiores cidades do interior do estado e principal polo regional de serviços públicos.
A comparação evidencia quem são, de fato, os municípios mais ricos da era dos royalties. Cidades pequenas e médias concentram volumes gigantescos de recursos por morador, enquanto municípios grandes e estruturantes ficam com fatias diluídas em populações numerosas e responsabilidades muito maiores.
Em Campos, os R$ 706,4 milhões recebidos em 2025 parecem expressivos à primeira vista, mas divididos por uma população estimada em mais de 519 mil pessoas resultam em pouco mais de R$ 113 por morador por mês. Um valor insuficiente para sustentar a complexa rede urbana, regional e social que a cidade mantém.
Além de sua própria população, Campos absorve diariamente moradores de diversos municípios do Norte e Noroeste Fluminense em hospitais, escolas, universidades, comércio e serviços públicos. A cidade também arca com o desgaste acelerado de vias e infraestrutura provocado pelo intenso tráfego de caminhões ligados às operações offshore e ao Porto do Açu, para onde se destinam cerca de 90% das empresas da cadeia do petróleo instaladas na região.
Enquanto isso, municípios como Saquarema, Maricá e Arraial do Cabo, com populações muito menores, concentram bilhões com pressão urbana infinitamente menor, permitindo investimentos robustos e formação de fundos bilionários.
O ranking ainda mostra casos extremos, como o município do Rio de Janeiro, que mesmo recebendo mais de R$ 570 milhões em royalties, possui apenas R$ 84 per capita, reforçando como o critério populacional muda completamente a leitura da riqueza petrolífera.
Especialistas e órgãos de controle já apontam que o modelo atual, baseado em critérios antigos de confrontação geográfica com campos offshore, se tornou obsoleto e gera uma espécie de loteria territorial, aprofundando desigualdades regionais.
Na prática, os números revelam quem realmente ficou rico na era dos royalties e quem, como Campos dos Goytacazes, sustenta o peso regional da economia do petróleo com retorno proporcionalmente baixo. A cidade forma mão de obra qualificada, mantém serviços essenciais para toda a região, absorve impactos logísticos e urbanos da cadeia petrolífera, mas permanece entre as mais prejudicadas pelo modelo atual de distribuição da renda do petróleo no Brasil.
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