O futebol brasileiro vive, de tempos em tempos, a tentativa de fabricar rivalidades nacionais por conveniência de audiência. Nos últimos anos, parte da mídia esportiva passou a vender Flamengo e Palmeiras como se fossem rivais naturais, históricos e equivalentes no imaginário das duas torcidas. A tese pode até funcionar em mesa-redonda, corte de rede social e debate patrocinado pelo barulho do mercado de apostas. Para o flamenguista, no entanto, a história é bem mais simples: rival do Flamengo é Vasco, Fluminense e Botafogo.
O Palmeiras é um grande clube, vencedor e relevante no cenário nacional. Isso não está em discussão. O ponto é outro. Para a torcida do Flamengo, rivalidade não nasce de planilha, de algoritmo, de chamada televisiva ou de esforço publicitário. Rivalidade nasce de território, história, convivência, provocação diária, decisão antiga, memória familiar, arquibancada dividida e disputa que atravessa gerações. Nesse campo, o Palmeiras não ocupa o lugar que alguns tentam lhe entregar à força.
Nos últimos dez anos, considerando o período de 2016 a 2025, o Flamengo levantou mais títulos que o Palmeiras no recorte geral. Foram 16 conquistas rubro-negras contra 13 do clube paulista, incluindo estaduais, nacionais, continentais e internacionais. Mesmo retirando os estaduais da conta e olhando apenas para competições nacionais, continentais e internacionais, o Flamengo segue à frente: 10 títulos contra 9.
A diferença não está apenas na quantidade. Está também na dimensão simbólica do que o Flamengo representa. O clube rubro-negro não depende de rival externo para afirmar grandeza. Sua rivalidade central está dentro do Rio de Janeiro, onde Vasco, Fluminense e Botafogo formam o eixo histórico de confronto, identidade e provocação permanente. São esses jogos que mexem com a cidade, que atravessam famílias, que carregam décadas de tensão esportiva e cultural.
A tentativa de colocar o Palmeiras como “grande rival” do Flamengo atende muito mais à lógica do produto esportivo do que ao sentimento real da arquibancada rubro-negra. É evidente que Flamengo e Palmeiras protagonizaram jogos importantes, decisões relevantes e disputas recentes de alto nível. Mas protagonismo esportivo recente não é, automaticamente, rivalidade histórica. Barcelona e Bayern já fizeram grandes confrontos. Real Madrid e Manchester City também. Nem por isso toda disputa forte vira clássico de identidade.
Para o flamenguista, o Palmeiras é adversário. Pode ser adversário forte, competitivo, caro e bem estruturado. Mas adversário não é sinônimo de rival. Rivalidade envolve pertencimento, memória e incômodo permanente. O Palmeiras não tira o sono do Flamengo como Vasco, Fluminense e Botafogo tiram em semanas decisivas no Rio. Não há a mesma carga emocional. Não há a mesma vizinhança futebolística. Não há o mesmo peso cultural.
Também chama atenção o esforço de parte da imprensa paulista em apresentar o Palmeiras como contraponto obrigatório ao Flamengo, quase como se o futebol brasileiro precisasse de uma simetria artificial para organizar a narrativa. A realidade é que o Flamengo se mede por sua própria régua. Pela massa nacional, pela receita, pela exposição, pelo peso político, pela força de marca, pela capacidade de mobilização e pelos títulos recentes.
O Palmeiras merece respeito pelo que construiu. Mas respeito não obriga o Flamengo a aceitar uma rivalidade fabricada. O Flamengo não precisa do Palmeiras para ser grande. O Flamengo já era Flamengo antes dessa narrativa recente, continuou sendo Flamengo durante ela e seguirá sendo Flamengo depois que a agenda mudar.
No fim, a tentativa de empurrar essa rivalidade diz mais sobre quem precisa dela do que sobre o sentimento rubro-negro. Para a torcida do Flamengo, o mapa emocional está definido há décadas: Vasco, Fluminense e Botafogo são os rivais. O Palmeiras é apenas mais um grande adversário no caminho. E, nos últimos anos, olhando para títulos e protagonismo, o Flamengo segue com vantagem suficiente para dispensar qualquer complexo de comparação.
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