Quinta-feira, 09 de abril de 2026
Estado RJ

Júri popular no Rio analisa assassinato ligado ao jogo do bicho em 2020

Casos emblemáticos do crime organizado são julgados no Tribunal de Justiça do RJ

Por Fabrício Freitas
09/04/2026 às 07h02

Julgamento dos acusados pelo assassinato no Recreio abre debate sobre crime organizado no RJ / Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira (09), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro promove o júri popular de três acusados do assassinato de Fernando de Miranda Iggnacio, ocorrido em novembro de 2020 no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) participa do julgamento que se destaca como um dos casos mais emblemáticos da disputa pelo controle do jogo do bicho no estado.

Contexto e detalhes do crime

Fernando Iggnacio era uma figura ligada ao jogo do bicho, contravenção ilegal historicamente marcada por disputas violentas no Rio de Janeiro. A morte dele ocorreu em meio a essa disputa intensa, configurando-se em crime de grande repercussão nas investigações sobre o crime organizado na região. O ataque aconteceu no que parecia ser um local pouco esperado para um assassinato dessa magnitude, evidenciando a audácia dos envolvidos.

Processo judicial e envolvidos

Estão no banco dos réus Rodrigo Silva das Neves, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, acusados pelo Ministério Público de terem executado o homicídio. O crime teria sido encomendado por Rogério de Andrade, outra figura ligada à contravenção, sobrinho de Castor de Andrade, mentor histórico do jogo do bicho no Rio.

Paralelamente, Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa enfrentam um processo por envolvimento no caso, apurado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ). Esse processo está em fase de diligências após as primeiras testemunhas já terem sido ouvidas. As investigações apontam que Gilmar teve papel determinante no planejamento, monitorando a rotina de Iggnacio desde Angra dos Reis até o local do crime e mantendo contatos estratégicos.

O caso teve momentos de instabilidade na Justiça. Em março de 2021, Rogério de Andrade chegou a ser denunciado pelo homicídio, mas em fevereiro de 2022 o Supremo Tribunal Federal (STF) trancou a ação penal por falta de provas suficientes. Posteriormente, um novo procedimento investigativo trouxe novos elementos que reabrem o caso contra ele e Gilmar Lisboa.

Reflexos e expectativas para o julgamento

O julgamento dos três acusados da execução deve se estender por mais de um dia, dada a complexidade da investigação e a gravidade do crime. O caso reforça o panorama de luta das autoridades fluminenses contra o crime organizado e a contravenção, que impactam diretamente a segurança pública e a ordem no estado.

Em especial, regiões como a Zona Oeste do Rio, reverberam os efeitos dessas disputas criminosas, afetando moradores e políticas de gestão pública no setor de segurança. A operação do Tribunal de Justiça do Rio lança luz sobre um crime que se conecta às redes de controle de atividades ilícitas que desafiam o estado há décadas.

Este julgamento também reforça a importância da atuação do Ministério Público e órgãos especializados, como o GAECO, na condução de processos que envolvem senhorios históricos do crime como os membros da família Andrade.

O acompanhamento do desfecho desse processo será fundamental para avaliar a capacidade do sistema judicial fluminense em enfrenta os desafios impostos pela complexidade do crime organizado na capital e em suas regiões metropolitanas, que incluem áreas como Campos dos Goytacazes, São João da Barra e Macaé, onde a criminalidade organizada também apresenta impactos diversos.

Fonte: Redação

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