Na política feita com maestria, nada é aleatório. Cada movimento, cada silêncio, cada dado divulgado no momento certo compõe um tabuleiro muito maior do que o debate público costuma enxergar.
E é exatamente por isso que, hoje, os grandes vencedores do jogo político brasileiro, tanto na vitrine quanto nos bastidores, atendem por dois nomes: Eduardo Paes e o homem que opera longe das urnas, mas perto do poder real, o banqueiro André Esteves.
Paes constrói sua imagem de gestor moderno, agregador e quase imune às turbulências nacionais. Já Esteves move as peças onde decisões de verdade nascem: mercado financeiro, formação de narrativa pública, influência indireta sobre imprensa e sobre o ambiente institucional.
Nada disso é improviso.
Nos últimos meses, o BTG passou a se aproximar de setores da mídia alinhados à direita política logo após a movimentação em torno do Banco Master. A suposta tentativa de compra, ainda que nunca concluída nos moldes anunciados, abriu portas para acesso interno a contratos, estruturas financeiras e negociações sensíveis. Pouco depois, começaram a surgir divulgações seletivas, reportagens direcionadas e vazamentos cirúrgicos atingindo figuras centrais do Judiciário, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, sempre com foco em vínculos indiretos, escritórios familiares e receitas supostamente relacionadas ao sistema financeiro.
No jogo do poder, vazamento não é acaso. É ferramenta.
Enquanto a atenção pública se concentrava nessas pautas, ativos problemáticos do Master que circularam no mercado, com CDBs sendo vendidos a investidores por BTG e XP foram resolvidos com a liquidação. O barulho político ajudava a deslocar o foco. Estratégia clássica.
Mas o movimento mais sofisticado ocorreu no campo eleitoral.
Ao contrário do que se tentou vender nos bastidores, o nome de Flávio Bolsonaro não surgiu por aventura. Opinião que foi repercutida por todos os jornais que torciam pelo candidato Tarcísio. Surgiu porque tinha melhor largada eleitoral, mais capilaridade inicial. E isso foi amplificado por um ator decisivo.
O instituto Genial Quaest passou a operar em parceria com a Genial Investimentos, empresa ligada ao grupo financeiro de André Esteves. A partir daí, suas pesquisas nacionais ganharam musculatura, visibilidade diária na grande imprensa e peso político direto.
Os números começaram a mostrar Flávio Bolsonaro em ascensão consistente, enquanto Tarcísio de Freitas aparecia em queda ou travado. Esses dados passaram a pautar análises, colunas políticas e debates televisivos, criando uma percepção pública clara: Flávio forte, Tarcísio enfraquecido.
Pesquisa, quando vira manchete todos os dias, deixa de ser fotografia e passa a ser motor de narrativa.
O efeito era exatamente o desejado. Fragmentar a direita da Faria Lima, dificultar uma unificação em torno de um nome competitivo e tornar o ambiente eleitoral mais duro para Lula no curto prazo, ampliando o poder de barganha política e o desgaste do governo no período das negociações pré-eleitorais.
Nesse cenário, Eduardo Paes surgia como a peça perfeita para fortalecer Lula no Rio, reduto dos Bolsonaro, em uma eleição que se mostrava de risco. Mas sinalizava alianças e acordos à direita, com pastores e figuras do bolsonarismo, para atrair a atenção dos estrategistas políticos de Lula. Gestor bem avaliado, distante do radicalismo ideológico, com trânsito livre no mercado e cada vez mais tratado como liderança nacional viável. Tentou, mas sem sucesso, tirar Alckmin da Vice-Presidência e ocupar o espaço, o que obrigou Esteves a mudar a estratégia para um projeto de médio prazo com Paes.
E enquanto isso acontecia, Lula pode até não ter percebido por completo o tamanho do jogo, mas Fernando Haddad já havia caído no canto da sereia de André Esteves. A relação próxima com o banqueiro, os gestos públicos de sintonia com o mercado e a confiança excessiva nesse núcleo financeiro mostram que o ministro da Fazenda já orbita, politicamente, dentro da lógica construída pelo BTG.
Esteves não investe apenas em ativos. Ele investe em influência.
Nos bastidores de Brasília, esse desenho é cada vez mais claro: o projeto não é só atravessar governos, mas conduzir a sucessão política brasileira de forma indireta. E, nesse roteiro, Eduardo Paes é o rosto público de um arranjo sustentado por capital financeiro, engenharia eleitoral e mídia estratégica.
Não por acaso, mesmo com ataques frequentes ao governo Lula em setores da imprensa econômica, Paes segue praticamente blindado de críticas estruturais. A narrativa de gestor eficiente o protege enquanto amplia sua musculatura nacional.
O resultado já aparece no tabuleiro: Paes caminha para vencer o governo do Rio com folga, consolida-se como liderança fora do eixo ideológico tradicional e se posiciona para voos muito maiores. Ao mesmo tempo, o sistema que o sustenta molda pesquisas, influencia percepções e direciona alianças.
Quando Lula não puder mais disputar eleições, o vácuo de liderança popular corre o risco de ser ocupado não por um herdeiro político natural do campo progressista, mas por um projeto construído pelo mercado financeiro, com um banqueiro como estrategista central e seu pupilo como protagonista eleitoral.
É por isso que a cúpula petista precisa abrir os olhos.
A política brasileira mudou.
Hoje, vence quem controla números, narrativas e bastidores. Debate virou acessório.
E, nesse novo jogo de poder, André Esteves e Eduardo Paes jogam vários lances à frente.
Nada ali é por acaso. Tudo é cálculo.
E, até agora, o cálculo tem funcionado.
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