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Em 2025, o Brasil não foi governado apenas por instituições eleitas. Houve outro poder atuando com regularidade, sem voto, sem CPF e sem responsabilidade pública: o deus Mercado.
Um deus exigente, nervoso, suscetível a humores e, sobretudo, sempre pronto a punir, nunca a se explicar.
Seu instrumento preferido não é o raio, nem o trovão. É a velha conhecida mão invisível. Invisível, sim, mas bem visível quando atinge o bolso do cidadão comum.
A fé cega no oráculo que erra
Durante todo o ano de 2025, o mercado falou. E falou muito. Falou por meio de relatórios, consensos, casas de análise, pesquisas, bancos, corretoras e especialistas onipresentes na imprensa. Anunciou desastres, colapsos, crises iminentes. Jurou que o crescimento seria pífio, que a inflação sairia do controle, que o risco fiscal engoliria o país.
Erraram.
Erraram no PIB.
Erraram no emprego.
Erraram na arrecadação.
Erraram no tombo que nunca veio.
E, para constrangimento final, a Bolsa fechou o ano batendo recorde histórico.
Mas ninguém tocou o sino da retratação. O oráculo pode errar indefinidamente, e a fé permanece intacta.
Chantagem estrutural: quando o castigo vem antes do pecado
O mais grave de 2025 não foi o erro. Foi o método.
O mercado não esperou decisões. Reagiu a intenções.
Não esperou políticas públicas. Reagiu a discursos.
Não esperou leis aprovadas. Reagiu a pesquisas eleitorais.
A cada possibilidade política que fugia ao seu catecismo econômico, a mão invisível descia. Dólar para cima, juros futuros disparando, bolsa pressionada.
Nada disso porque algo havia acontecido, mas para evitar que algo viesse a acontecer.
Isso tem nome: chantagem estrutural.
Não é ilegal. Não é explícita. Mas é eficaz.
E quem paga não são os operadores de tela, é o povo, via inflação, crédito caro e instabilidade.
A imprensa como liturgia do deus Mercado
E a imprensa?
A imprensa rezou junto.
Tratou previsões como dogmas.
Repercutiu reações como se fossem leis naturais.
Nunca exigiu histórico de acerto.
Nunca expôs conflitos de interesse.
Nunca fez balanço dos erros.
Quando o mercado errava, o erro virava surpresa.
Quando acertava por acaso, virava sinalização correta.
É curioso:
o governo erra, vira editorial indignado.
o mercado erra, vira nota de rodapé, quando vira.
Talvez ajude a explicar o zelo o fato de que os maiores anunciantes do país são exatamente esses agentes que erram sem custo. Não se compra manchete. Compra-se algo mais sofisticado: ambiente, fonte fixa, silêncio seletivo.
A mão invisível só é invisível para quem lucra
Para o cidadão comum, a mão invisível não tem nada de invisível.
Ela aparece no supermercado, no financiamento, no cartão de crédito, no aluguel, no custo de vida.
Sempre que o mercado reage a uma hipótese política, quem sente primeiro não é o banqueiro, é o assalariado.
E quando o alarme se mostra falso?
Nada acontece.
Nenhuma devolução.
Nenhum pedido de desculpas.
Nenhuma manchete corrigindo o terror anunciado.
O erro sem mea-culpa como forma de poder
2025 escancarou uma verdade incômoda: o mercado pode errar porque não presta contas.
Não responde ao eleitor.
Não responde à imprensa.
Não responde a ninguém.
Seu poder está justamente aí: errar sem pagar o preço.
E quando alguém ousa apontar o erro, a resposta vem pronta:
“É assim mesmo, economia não é ciência exata.”
Curioso.
Quando é para pressionar, a convicção é absoluta.
Quando é para explicar o erro, vira meteorologia.
Conclusão: um deus que pune, mas nunca se confessa
O problema não é o mercado existir.
Nem ter interesses.
Nem reagir.
O problema é se apresentar como entidade neutra enquanto exerce poder político real.
E contar com uma imprensa que trata suas previsões como revelações divinas, mesmo quando desmentidas pelos fatos.
Em 2025, o Brasil cresceu apesar do alarme.
A Bolsa subiu apesar do terror.
A economia resistiu apesar das profecias.
Mas o deus Mercado não pediu desculpas.
A mão invisível não recuou.
E a conta, como sempre, ficou com o povo.
Porque, no fim das contas, não há nada mais visível do que uma mão invisível batendo a carteira do povo brasileiro.
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