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Quinta-feira, 01 de janeiro de 2026
Opinião

O deus Mercado e a 'mão invisível' que bate a carteira do povo brasileiro

Erro do mercado, silêncio da imprensa e prejuízo para o povo

Por Redação Ururau, Portal Ururau
01/01/2026 às 11h46

Mercado erra previsões, pressiona a economia e não presta contas. Quem paga é o cidadão comum / Foto: Reprodução

Em 2025, o Brasil não foi governado apenas por instituições eleitas. Houve outro poder atuando com regularidade, sem voto, sem CPF e sem responsabilidade pública: o deus Mercado.
Um deus exigente, nervoso, suscetível a humores e, sobretudo, sempre pronto a punir, nunca a se explicar.

Seu instrumento preferido não é o raio, nem o trovão. É a velha conhecida mão invisível. Invisível, sim, mas bem visível quando atinge o bolso do cidadão comum.

A fé cega no oráculo que erra

Durante todo o ano de 2025, o mercado falou. E falou muito. Falou por meio de relatórios, consensos, casas de análise, pesquisas, bancos, corretoras e especialistas onipresentes na imprensa. Anunciou desastres, colapsos, crises iminentes. Jurou que o crescimento seria pífio, que a inflação sairia do controle, que o risco fiscal engoliria o país.

Erraram.

Erraram no PIB.
Erraram no emprego.
Erraram na arrecadação.
Erraram no tombo que nunca veio.

E, para constrangimento final, a Bolsa fechou o ano batendo recorde histórico.

Mas ninguém tocou o sino da retratação. O oráculo pode errar indefinidamente, e a fé permanece intacta.

Chantagem estrutural: quando o castigo vem antes do pecado

O mais grave de 2025 não foi o erro. Foi o método.

O mercado não esperou decisões. Reagiu a intenções.
Não esperou políticas públicas. Reagiu a discursos.
Não esperou leis aprovadas. Reagiu a pesquisas eleitorais.

A cada possibilidade política que fugia ao seu catecismo econômico, a mão invisível descia. Dólar para cima, juros futuros disparando, bolsa pressionada.

Nada disso porque algo havia acontecido, mas para evitar que algo viesse a acontecer.

Isso tem nome: chantagem estrutural.

Não é ilegal. Não é explícita. Mas é eficaz.
E quem paga não são os operadores de tela, é o povo, via inflação, crédito caro e instabilidade.

A imprensa como liturgia do deus Mercado

E a imprensa?
A imprensa rezou junto.

Tratou previsões como dogmas.
Repercutiu reações como se fossem leis naturais.
Nunca exigiu histórico de acerto.
Nunca expôs conflitos de interesse.
Nunca fez balanço dos erros.

Quando o mercado errava, o erro virava surpresa.
Quando acertava por acaso, virava sinalização correta.

É curioso:
o governo erra, vira editorial indignado.
o mercado erra, vira nota de rodapé, quando vira.

Talvez ajude a explicar o zelo o fato de que os maiores anunciantes do país são exatamente esses agentes que erram sem custo. Não se compra manchete. Compra-se algo mais sofisticado: ambiente, fonte fixa, silêncio seletivo.

A mão invisível só é invisível para quem lucra

Para o cidadão comum, a mão invisível não tem nada de invisível.

Ela aparece no supermercado, no financiamento, no cartão de crédito, no aluguel, no custo de vida.

Sempre que o mercado reage a uma hipótese política, quem sente primeiro não é o banqueiro, é o assalariado.

E quando o alarme se mostra falso?
Nada acontece.
Nenhuma devolução.
Nenhum pedido de desculpas.
Nenhuma manchete corrigindo o terror anunciado.

O erro sem mea-culpa como forma de poder

2025 escancarou uma verdade incômoda: o mercado pode errar porque não presta contas.

Não responde ao eleitor.
Não responde à imprensa.
Não responde a ninguém.

Seu poder está justamente aí: errar sem pagar o preço.

E quando alguém ousa apontar o erro, a resposta vem pronta:
“É assim mesmo, economia não é ciência exata.”

Curioso.
Quando é para pressionar, a convicção é absoluta.
Quando é para explicar o erro, vira meteorologia.

Conclusão: um deus que pune, mas nunca se confessa

O problema não é o mercado existir.
Nem ter interesses.
Nem reagir.

O problema é se apresentar como entidade neutra enquanto exerce poder político real.
E contar com uma imprensa que trata suas previsões como revelações divinas, mesmo quando desmentidas pelos fatos.

Em 2025, o Brasil cresceu apesar do alarme.
A Bolsa subiu apesar do terror.
A economia resistiu apesar das profecias.

Mas o deus Mercado não pediu desculpas.
A mão invisível não recuou.
E a conta, como sempre, ficou com o povo.

Porque, no fim das contas, não há nada mais visível do que uma mão invisível batendo a carteira do povo brasileiro.

Fonte: Por Fabricio Freitas

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