Terça-feira, 24 de março de 2026
Opinião

Policial rodoviário federal matou comandante da Guarda em Vitória com arma de trabalho

Uso de arma oficial em feminicídio coloca controle de armamentos sob análise

Por Fabrício Freitas
24/03/2026 às 11h26

Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, foi morta com cinco tiros na cabeça. / Foto: Reprodução

Um crime chocou Vitória na madrugada do dia 23 de março, quando a comandante da Guarda Municipal da capital capixaba, Dayse Barbosa, de 37 anos, foi assassinada pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa, utilizando a própria arma de serviço. O fato aconteceu na residência da vítima, no bairro Santo Antônio, onde morava com o pai e a filha de oito anos. Após o assassinato, o policial cometeu suicídio.

Detalhes do crime e uso da arma oficial

Segundo informações da Polícia Civil do Espírito Santo, a arma utilizada pelo policial para cometer o feminicídio foi uma pistola Glock 9mm G17, fornecida para uso profissional. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) conduziu a coleta da arma e encaminhou para perícia balística, a fim de confirmar que os projéteis encontrados no corpo da comandante correspondem aos disparos efetuados pela mesma.

A perícia confirmou que Dayse foi atingida por cinco tiros na nuca, todos disparados enquanto ela dormia, sem chance algum de reação. A arma particular da comandante, que estava no quarto no momento do crime, não foi utilizada no assassinato e foi rapidamente devolvida à instituição que ela comandava.

O crime aparenta ter sido premeditado. A polícia encontrou na mochila do agressor diversos objetos como canivete, faca, vidro de álcool e carregadores de munição, além de ferramentas para facilitar a invasão da residência, como alicate e isqueiro. Também foi informado que o policial acessou o quarto da vítima pela marquise do imóvel, usando uma escada.

Relacionamento conturbado e histórico da vítima

Dayse Barbosa foi a primeira mulher a assumir o comando da Guarda Municipal de Vitória, cargo que exercia com dedicação até o trágico desfecho. Ela deixa uma filha e uma família entristecida pelo ocorrido.

O relacionamento entre Dayse e Diego durava cerca de quatro anos e era marcado por episódios de violência doméstica. O pai da vítima relatou que presenciou brigas e agressões, inclusive chegando a intervir fisicamente para proteger a filha. Apesar das constantes tensões, Dayse nunca formalizou denúncias contra o companheiro.

O motivo aparente para o crime foi o pedido da comandante para o término da relação, o que pode ter motivado a atitude extrema do policial rodoviário federal. Diego trabalhava na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, desde 2020.

Investigações e desdobramentos judiciais

A investigação segue sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória. A polícia recolheu todas as evidências no local e realiza os procedimentos periciais para subsidiar o inquérito.

A arma de fogo que serviu ao crime permanece apreendida e só poderá ser devolvida à Polícia Rodoviária Federal mediante decisão judicial, mesmo com a morte do autor do crime. A PRF, responsável pelo policial, manifestou pesar pela tragédia e declarou que colaborará com as investigações, ressaltando seu compromisso contra a violência contra as mulheres e o feminicídio.

Em momentos como este, a discussão sobre o controle, uso e proteção em relação às armas de serviço em corporações policiais ganha especial atenção, principalmente no que tange a prevenção de casos semelhantes

Fonte: Fabricio Freitas

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