Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Opinião

Torta de climão no encontro de políticos na festa de Santo Amaro

Gestos, ausências e constrangimentos chamaram atenção na missa

Por Fabrício Freitas
15/01/2026 às 16h20

Missa de Santo Amaro vira palco de gestos políticos e climão público / Foto: César Ferreira

A tradicional festa de Santo Amaro reúne, todos os anos, políticos de todas as esferas na grande missa celebrada em homenagem ao padroeiro. É um daqueles raros momentos em que a liturgia religiosa impõe, ao menos em tese, um intervalo na guerra permanente da política. Neste ano, porém, o clima mostrou que nem sempre a fé consegue conter as rusgas do poder.

Chamou atenção o encontro respeitoso e civilizado entre o deputado estadual Vitor Junior e o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, já no interior da igreja. Houve troca de cumprimento, paz de Cristo mútua e um abraço discreto, como manda a educação e, sobretudo, o ambiente. Um gesto simples, mas cada vez mais raro, que deveria ser regra, não exceção.

Do restante, infelizmente, sobrou constrangimento. A celebração acabou marcada por atitudes que destoaram do espírito da data e do local. Quem conhece o jogo político sabe que o que nos divide são as ideias, e apenas as ideias. Quando a rivalidade ultrapassa esse limite, o que aparece não é firmeza ideológica, mas falta de civilidade.

O deputado estadual Thiago Rangel, por exemplo, não cumprimentou o prefeito da cidade, rompendo a liturgia institucional em nome de uma disputa política que não deveria atravessar o altar. Já o vereador Maicon Cruz optou por permanecer de óculos escuros durante toda a cerimônia, um detalhe pequeno, mas simbólico, especialmente em um ato religioso.

Nos bastidores, a fofoca correu solta. Dizem que Santo Amaro faz milagres, só não conseguiu fazer o deputado federal Caio Vianna aparecer. Caio não compareceu à missa. Quem esteve representando o parlamentar foi o secretário de Governo de Campos e seu braço direito, Ruy Crispim, que, como de costume, manteve o tom simpático e institucional, cumprindo o papel de fazer a ponte política em meio ao ambiente tenso.

No fim das contas, a festa do padroeiro revelou mais do que devoção. Expôs o grau de maturidade, ou a falta dela, de parte da classe política local. Em tempos de radicalização, talvez o maior milagre esperado não seja eleitoral, mas comportamental. Entender que respeito não significa concordância, e civilidade não enfraquece ninguém. Pelo contrário, engrandece.

Fonte: Por Fabricio Freitas

Últimas Notícias

EM ALTA

Aviso importante: a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo (textos, imagens, infográficos, arquivos em flash etc) do Portal Ururau não é permitida sem autorização e os devidos créditos e, caso se configure, poderá ser objeto de denúncia tanto nos mecanismo de busca quanto na esfera judicial. Se você possui um blog ou site e deseja estabelecer uma parceria com o Portal Ururau para reproduzir nosso conteúdo, entre em contato através do email: comercial@ururau.com.br

Todos os direitos reservados - Ururau Copyright 2008-2025 Desenvolvimento Jean Moraes