Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Polícia

Delegada recém-empossada em SP é presa por suspeita de atuar para o PCC

Ministério Público aponta atuação irregular na advocacia e vínculo com facção

Por Fabrício Freitas
16/01/2026 às 12h28

Delegada foi presa em operação do MP que investiga ligação com o PCC / Foto: Reprodução

Uma delegada de Polícia recém-empossada foi presa na manhã desta sexta-feira, 16, em São Paulo, durante a Operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público para apurar o suposto envolvimento da agente com o Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Identificada como Layla Lima Ayub, a investigada tomou posse como delegada em dezembro de 2025, após atuar por anos como advogada criminalista. Segundo o Ministério Público de São Paulo, há indícios de que ela tenha continuado a exercer a advocacia de forma irregular mesmo após assumir o cargo, inclusive em audiência de custódia na defesa de integrantes de organizações criminosas, prática vedada pela legislação e por normas administrativas da Polícia Civil.

As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado apontam que a delegada mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção criminosa. Um dos principais elementos apurados é o relacionamento da investigada com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado pelas autoridades como liderança do PCC na Região Norte do país.

De acordo com o MP, a condição de delegada poderia ter sido utilizada para favorecer interesses da facção, já que o cargo garante acesso a sistemas restritos, inquéritos policiais e bancos de dados sigilosos. A apuração também investiga a suspeita de lavagem de dinheiro por meio da aquisição de um estabelecimento comercial na Zona Leste da capital paulista, registrado em nome de terceiros.

A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá, no Pará. Um dos alvos foi a Academia da Polícia Civil, onde a delegada mantinha armário funcional. A Justiça autorizou ainda duas prisões temporárias, uma contra a delegada e outra contra o companheiro dela.

O Ministério Público informou que não há, até o momento, elementos que indiquem financiamento direto da carreira da delegada pela facção criminosa. A principal linha de investigação sustenta que a aproximação ocorreu durante o período em que ela atuava na advocacia criminal, relação que teria se intensificado posteriormente.

A defesa da delegada não havia sido localizada até a última atualização desta reportagem. As investigações seguem em andamento.

Fonte: Por Fabricio Freitas

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