A Polícia Federal deflagrou uma operação na manhã desta quarta-feira para desmontar um esquema criminoso que desviou mais de R$ 500 milhões da Caixa Econômica Federal. A denúncia envolve o Grupo Fictor, holding com atuação nos setores de agronegócio, energia e mercado financeiro, que chegou a negociar a compra do Banco Master antes da instituição ser liquidada pelo Banco Central. A ação é resultado de uma investigação iniciada em 2024 que apura fraudes envolvendo cooptação de funcionários de instituições financeiras e movimentações complexas de valores.
Mandados e prisões em três estados
No total, a força-tarefa cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva distribuídos entre cidades dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Pelo menos dez pessoas foram detidas, entre elas o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Phillippe Gomes Rubini, principais investigados pelo envolvimento direto nos desvios. A operação busca apreender documentos, computadores e outros materiais que possam comprovar e detalhar a extensão do esquema.
Métodos do esquema e alvos da investigação
As investigações indicam que o grupo criminoso utilizava uma rede complexa de empresas para camuflar o desvio dos recursos da Caixa. Funcionários de instituições financeiras teriam sido cooptados para facilitar as operações ilícitas que resultaram em movimentações financeiras fraudulentas. A Justiça Federal autorizou a quebra de sigilos bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 empresas ligadas ao Grupo Fictor. Também determinou o bloqueio e sequestro de aproximadamente R$ 47 milhões em ativos, incluindo imóveis e veículos de luxo ligados aos envolvidos.
Impactos e desdobramentos financeiros da operação
Em novembro do ano passado, o Grupo Fictor anunciou a compra do Banco Master, pouco antes da liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central, numa operação estimada em R$ 3 bilhões. Com a liquidação, as empresas Fictor Holding e Fictor Invest perderam investimentos substanciais e, como consequência, entraram com pedido de recuperação judicial. Além das acusações de desvio, os investigados podem responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, com penas que podem superar 50 anos de reclusão.
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