Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Polícia

Polícia aposta em perícia de celulares para revelar motivação de mortes em hospital

Por Carla Ribeiro
21/01/2026 às 13h36

Conteúdo de conversas e arquivos pode ajudar a fechar inquérito e embasar prisões preventivas / Foto: Reprodução/Material cedido ao R7

A Polícia Civil do Distrito Federal considera a perícia nos celulares e em outros dispositivos eletrônicos apreendidos com os técnicos de enfermagem suspeitos de participação nas mortes de três pacientes em um hospital particular do DF como o próximo passo para descobrir a verdadeira motivação dos crimes.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Maurício Iacozzilli, a análise do material pode fornecer informações que não foram reveladas durante os depoimentos dos profissionais de saúde envolvidos no caso.

“A gente acredita que, analisando os telefones, com quem eles conversavam, as conversas que eles travavam entre si, a gente pode melhor esclarecer o real motivo desses homicídios, do porquê que estavam praticando esses atos”, disse Iacozzilli à RECORD.

“Com os equipamentos que o nosso instituto de criminologia dispõe, a gente acredita que consegue recuperar as imagens até que eles, eventualmente, possam ter apagado em conversas mais sensíveis que eles tenham travado. E, após a análise desse material, a gente acredita que pode, sim, conseguir a última peça desse quebra-cabeça, do porquê que eles praticaram esses crimes”, acrescentou.

As vítimas da ação dos técnicos de enfermagem são o supervisor de manutenção da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) João Clemente Pereira, 63 anos; o carteiro Marcos Moreira, 33; e a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75.

Liderança e execução

A polícia aponta técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, como o líder do grupo e responsável pela execução direta dos crimes. Ele teria recebido a ajuda de Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, que aparentemente encobertavam as ações do colega, evitando que ele fosse flagrado.

Conforme apurado pelos investigadores, ele utilizava computadores logados em nome de médicos para elaborar receitas falsas, obtinha medicamentos, preparava as substâncias e realizava as aplicações nos pacientes.

O procedimento, segundo o delegado, não seguia qualquer protocolo hospitalar. As injeções não eram levadas em bandejas visíveis, mas escondidas no bolso, e aplicadas de forma furtiva.

Além de medicamentos capazes de provocar parada cardíaca, Marcos teria recorrido ao uso de desinfetante quando os fármacos acabaram, realizando diversas aplicações dessa substância com a presença das colegas.

Participação das suspeitas

Marcela Camilly, segundo a polícia, estava em processo de treinamento com Marcos e acompanhou tanto a preparação quanto a aplicação das substâncias.

A investigação descarta a tese de desconhecimento por parte dela e de Amanda, uma vez que ambas presenciaram situações incompatíveis com qualquer procedimento médico regular.

Confrontados com gravações internas do hospital, Marcos Vinícius e Marcela Camilly confessaram a prática dos atos, embora não tenham apresentado explicações sobre a motivação.

Amanda negou até o fim ter ciência do que ocorria, alegando acreditar que as mortes eram coincidências. O depoimento, no entanto, não convenceu os investigadores diante das imagens analisadas e do contexto descrito nos autos.

“Essa tese de que elas não sabiam o que ele [Marcos Vinícius] estava fazendo, realmente, não tem como acreditar. Os vídeos mostram, principalmente na primeira vítima, que os três estão juntos. Logo após as aplicações, eles ficam assistindo o monitor cardíaco zerar, esperando, cerca de 10 a 15 segundos depois, a pessoa entrar em parada cardíaca. Então, a suposta tese de desconhecimento, realmente, não tem como a gente acreditar nisso”, ressaltou Iacozzilli.

Novos inquéritos

A estratégia da investigação, neste momento, é concluir o inquérito referente às três primeiras mortes para embasar o pedido de prisão preventiva dos suspeitos, evitando que eles sejam soltos ao término do prazo da prisão temporária.

Paralelamente, a Polícia Civil deve instaurar um novo inquérito para apurar a atuação do grupo em outros hospitais onde os suspeitos trabalharam. A análise dos celulares será utilizada como um filtro para identificar possíveis referências a outras mortes e, assim, localizar eventuais novas vítimas.

Fonte: R7

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